4 de abr de 2018

O FILHO DO SENHOR RELATIVO

Meu pai, o coletor Dino Cabral, contava uma história onde ensinava sobre a estupidez humana e como uma pergunta revela o que se passa na cabeça de alguém. Ele chamava a historinha de "O Filho do Senhor Relativo". Dizia que o filho chegou correndo, ofegante, perto do pai e perguntou gritando:
— Pai, será que existe mais de dez cachorros pretos no mundo?
E o pai respondeu em um tom professoral e de repreensão:
— Deixe de ser burro moleque, não está vendo que tem mais de trinta.
Nesse momento Seu Dino explicava o moral da história, que tudo era relativo, o filho tinha dez anos e acreditava que o mundo comportava dez cachorros pretos. Já o pai tinha uma visão mais ampla e aos trinta anos chegou a conclusão que o mundo tinha trinta cachorros pretos, era tudo relativo. A estupidez evoluía com a idade.

16 de mar de 2018

PARA REFLETIR SOBRE OS ASSASSINATOS DO RIO

Por todo o país grandes manifestações em protesto pelo brutal assassinato de Marielle Franco e seu motorista no Rio. As manifestações são confusas pois misturam elementos de realidade e muita fantasia, mas a indignação é autêntica, verdadeira.
Pessoalmente não conhecia a tal moça e o que fiquei conhecendo após a tragédia está impregnado de tolices e fantasias que sei não correspondem nem à sua vida e muito menos à sua atuação como vereadora.
Essas bobagens são de toda espécie. Uma das mais curiosas afirma que o bandido não matou apenas duas pessoas, mas todos os seus eleitores. Num sentido figurado poderia ter valor, mas textualmente é uma imensa bobagem condenar alguém pelo assassinato de 46 mil pessoas vivas.
As redes sociais não rejeitam tolices, de boas ou más intenções, mas todos os que possuem o mínimo de prudência, que não estão "febris" pelos fanatismos, têm o dever de colocar um pouco de inteligência nesse momento, para que os assassinatos não fiquem impunes, não sejam atribuídos a "forças superiores irresistíveis", machistas, racistas e misóginas possivelmente ligadas ao Satan Goss, inimigo do Jaspion.

14 de mar de 2018

REFLEXÃO FEUERBACHIANA


Qual a ideia central que inconfesavelmente norteia os pensamentos dos mais fanáticos petistas? Que ideia é a essência do pensamento "religioso" dessa parcela da esquerda? Bem, fui buscar a inspiração num intelectual que foi a inspiração para Marx, Ludwig Feuerbach.
Feuerbach é um mestre e "velho amigo", domino bem suas ideias. Poderíamos dizer, imitando o mestre, que "Lula como ente material é a consubstanciação da ideia de si mesmo", ou seja, Lula-homem/matéria torna-se ideia e essa ideia toma forma material em Lula-home/matéria, logo é impossível usar as regras da matéria para punir algo que é idêntico a ideia. Eis o raciocínio do PT tratado de forma rigorosa.
Esse é um comentário sobre o post anterior "O Caldeirão", título inspirado na historinha do sapo dentro do caldeirão, onde o sapo é o barbado de Brizola.

O CALDEIRÃO

Primeiro Lula não poderia ser processado pois estava acima dessas coisas mundanas como a Justiça; depois que foi processado nenhuma prova era suficiente para provar nada, toda prova contra Lula era uma não-prova; foi condenado, logo o juiz tornou-se réu, deveria ser encarcerado, punido severamente, por ter tido a audácia, a petulância de ousar condenar algo de caráter divino, Lula matéria era a consubstanciação da ideia de si mesmo ; recorreu-se, segunda instância, nova condenação, já não era necessário punir e encarcerar os desembargadores, eram apenas fantoches de uma força externa, imperialista e poderosa, algo como o Satan Goos da série Jaspion. Recursos e embargos, Lula não pode ir para a cadeia por ser divino. Hoje encontrei um petista graduado dizendo que Lula pode até ser preso, mas sai logo, não esquenta lugar no presídio.

21 de dez de 2017

OS OMBROS DO ASTRONAUTA

Ontem, conversando com um jovem candidato a intelectual, ele perguntou qual foi o fato que mais influenciou meus pensamentos, ao longo da vida. Esperava uma resposta grandiosa, altaneira e foi inesperada e insólita: a chegada do homem na lua.
Foi difícil de explicar e não sei se tive êxito. Sou da geração que assistiu criança e adolescente à corrida espacial, que sonhava em conquistar novos mundos, indo onde nenhum humano esteve. O Cláudio de 1973, com 9 anos, achava que o Cláudio de 2017 seria um astronauta. Então passei de astronauta para guerrilheiro de Sierra Maestra, virei Partizan, tenente na Coluna Prestes,  soldado da "résistance française", membro da Guarda Vermelha até chegar a comissário politico albanês, tudo isso ruiu, passou, mas o sonho de viajar pelo universo, o modelo meio engenheiro, meio cientista e militar permanece, é a base de tudo, ou seja, todos esses sonhos foram erguido nos ombros de um astronauta.

15 de dez de 2017

A HERANÇA PATRIÓTICA DE MIGUEL ARRAES


Para comemorar o aniversário de Arraes queria falar sobre um dos temas prediletos dele, a administração de dívida interna do Brasil e sua ligação com uma nova forma de colonialismo financeiro e estagnação econômica.
O orçamento para 2018 já foi aprovado. Nele estão previstos 3,57 trilhões em gastos. Destes, 1,16 trilhão se destinam ao refinanciamento da dívida pública e 316 bilhões ao pagamento de juros. No total, são 1,476 trilhão destinados ao serviço da dívida (juros e refinanciamento), ou seja, 41% do orçamento de 2018 já é prisioneiro da dívida pública. Esse problema da imensa e descontrolada dívida vem desde o Regime Militar, passando por Sarney, Collor Itamar, FHC, Lula e Dilma/Temer. Não foi tratado da forma adequada por nenhum deles e caso faça uma auditoria bem-feita irá encontrar uma ligação entre o modelo político que conduziu o país a atual crise de corrupção, a preservação da dívida interna e dos juros altos e o sistema bancário local e externo.
Nos países europeus mais ricos ligados à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os percentuais de investimentos públicos devem ficar em 3%. Esse valor é necessário para manter o nível de obras e prevenir crises econômicas, mas no Brasil o governo Temer instituiu 0,3% do orçamento para investimento, valor que não garante uma retomada saudável de investimentos e, portanto, não tirará o país da crise.
Não adianta encontrar soluções para a crise política, não adianta lançar os maloqueiros do momento no xilindró e preservar o sistema de dívida elevada que enfraquece o país e alimenta a doença.
Existe uma ligação intrínseca entre crise econômica e a força política do país. Manter o país submisso passa por tornar a crise perene. Vivemos após o fim da crise na Rússia, durante o governo Lula, um instante de valorização de commodities, que criou um pequeno período de prosperidade sobrepondo por alguns anos o peso do pagamento da dívida e fortalecendo o país. Esse era o momento de fazer a reforma, estancar a sangria, pois existia sobras. Mas, deixou-se para depois, para o pré-sal, pois o processo de manutenção no poder era mais importante que os interesses do Brasil.
Agora acabou a farra das commodities. O pré-sal, que seria uma nova oportunidade, precisa de preços mais convidativos no barril de petróleo para funcionar. Saímos dos picos do aço para a China e voltamos ao vale dos bancos e dos juros altos. Voltamos a beijar a lona. Nada sendo feito serão décadas de estagnação, com crescimento pífio, “empurrando o gado” com diz Zé Lezin.
Nesse clima é necessário coragem até para pequenos movimentos. Eduardo Campos, que era um homem de coragem, perguntou certa vez: O que podemos fazer com 1% de baixa na Selic? Muita coisa.
Falta coragem atualmente, faltou no passado, inclusive no recente por interesse próprio, de perguntar: quanto temos que baixar na Selic e na dívida para pagar a previdência? Essa é a pergunta correta. Quando desenvolvimento devemos ter para garantir os direitos sociais? Quando do PIB deve ser investido em obras para garantir uma taxa baixa de desemprego?
Essas não são perguntas de esquerda, direita ou centro, são perguntas patrióticas, perguntas que poderiam vir de um dos maiores patriotas que esse país já conheceu: Miguel Arraes.

16 de nov de 2017

CAVALO SELADO

O PSB hoje é o "cavalo selado" da campanha presidencial. Ao contrário do PPS que busca lançar Luciano Huck, uma espécie de "truque", o PSB tem inúmeras alternativas, com diversos sabores. Poderia ser Aldo Rebelo, identificado com a esquerda, mas com um senso de praticidade política elevada, poderia ser até Joaquim Barbosa que carrega uma impetuosidade extraordinária, capaz de atrair até os mais céticos e construir um discurso diferenciado, com um apelo mais para o centro. Perfeito para o momento. E pode atrair coisa até melhor, como o juiz Sérgio Moro.
O PSB é o cavalo da vez e só uma coisa pode atrapalhar, a mesquinhez de projetos irrelevantes, o sectarismo pro-petista e a luta interna pela direção.
Minha sugestão ao partido (não sou filiado): façam como foi feito na África do Sul, tranquem toda a direção num hotel no meio da selva amazônica, sem comida, e só liberem após chegarem a um consenso útil. O prêmio vale o sacrifício.