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NÃO TIREM O MACACO, POR FAVOR.

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Lembrando hoje de uma estória sobre a relação cliente-agência, que me foi contada ainda no tempo de estudante e permanece atual, para tudo. Contam que existia em Hollywood um roteirista apaixonado pela fábula da bela que é conquistada pela fera, do conto francês de Gabrielle-Suzanne Barbot, que teve a ideia de fazer um roteiro para um filme de ação onde pudesse usar as emoções criadas pela narrativa da fábula. Montou uma história com uma bela ruiva (as ruivas sempre fazem papeis assim) e uma fera, um imenso gorila. No lugar do palácio, uma ilha remota do Pacífico habitada por monstros pré-históricos, e uma cena final, idêntica à fábula, onde a fera ensandecida é abatida pelos habitantes do vilarejo, transformado na cidade de Nova York. O roteirista criou como quem faz uma sopa, não esquecendo todos os ingredientes para conquistar o público: ação, aviões com metralhadoras, bombeiros, interesses financeiros, e tudo mais. Entretanto, o cerne da história era a antiga fábula...

DEVOLVAM O XELELÉU!

O português está perdendo palavras e as que são adicionadas são anglicismos pobres. Ontem recebi um email onde a palavra bajulador foi substituída por "smarmy", segundo o autor da substituição trata-se de uma palavra mais apropriada já que considerava "bajulador" muito educada, até culta, erudita. Ora, nossa língua portuguesa é tudo, menos culta e erudita. Ninguém xinga alguém de "bajulador", isso é coisa da futilidade acadêmica e das sacristias. Nosso português foi formado nos portos, na zona, por prostitutas e trabalhadores braçais, escravos e livres. Quando se acusa alguém de bajulador se chama de puxa-saco, babão, chaleira e a melhor de todas, xeleléu. Estamos perdendo a palavra xeleléu e em seu lugar querem colocar essa tal "smarmy". Terrível.

PEIXE DE ÁGUA DOCE

Tenho muito carinho e amor pelas minhas terras: Garanhuns, Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus, mas também tenho um coração grande, que cabe outros lugares. Interessante é que, mesmo morando há 36 anos no Recife, não me sinto pertencente à cidade e mesmo sendo tratado de forma fraternal sou sempre um visitante, um estrangeiro. Acho que é o mangue, o massapé, a maré, o calor abafado e essa cultura de canavial, de casa grande e senzala, que não me diz respei to. Sou peixe de água doce, meio sertanejo - meio da mata, sou do agreste. Quando comecei a namorar com minha esposa Maria do Carmo, que é de Rio Formoso e pertence a essa cultura recifense, fui convidado para um almoço na casa de Cazuza, seu avô e pessoa interessantíssima. Lá serviram o prato mais fino e nobre que um recifense pode conceber, carne de caranguejo. Achei esquisito e terminei comendo apenas uma pequena poção, de forma contida, com um pouco de arroz e pirão. Devia ser uma entrada. Terminado perguntei ...

O BARRO QUE SOMOS FEITOS

O barro que somos feitos são as terras das quais pertencemos, para mim Garanhuns, São João, Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus. Sou filho um pouquinho de cada lugar desses. Garanhuns do meu tempo de menino e das matinês no Cine Veneza; São João das pescarias e do meu pai; Belo Jardim da adolescência, da Festa de São Sebastião, Marocas e dos amores inesquecíveis; Brejo da minha mãe, minha tia Urze, Tio Neco, Serra do Ponto e da tardes no Escorrego. Para o Recife, bem, sobrou apenas o resto. Sinto muito Recife. O mundo começou em Garanhuns, para mim textualmente, nasci lá, é meu elemento primordial, sou parte da paisagem, as palavras ditas nas ruas são no meu perfeito idioma e não num dialeto qualquer do Recife, São Paulo ou Bahia. Lá a terra é branca e não massapé e faz um frio maravilhoso, perfeitamente adaptado à vida humana. Se meu destino não for mesquinho, como já disse Patativa, quero ter a oportunidade de ter uma casinha por lá. Belo Jardim, bem, amo muito; mai...

DIA DO PESCADOR

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Meu pai - Dino Cabral, esse da foto – ganhava a vida como coletor do estado de Pernambuco (hoje chama-se “auditor”), mas também acumulava o ofício de padeiro e pescador amador. Foi padeiro nos anos 30 em Niterói, coletor a partir de 1944 e pescador a vida inteira. Fui a muitas pescarias com ele, pelos açudes de São João, Angelin e Palmeirina. Pescar com meu pai era um atividade cheia de rituais. Começava no dia anterior, caçando a minhoca (gogo), no lugar certo, com a enxada correta, devidamente guardado. Saiamos de casa ainda escuro para chegar ao açude amanhecendo. A pescaria só até as 9h. Poderia retorna às 16h30. Eu adorava tudo aquilo, era uma aventura, com apenas oito anos me sentia adulto. Do meu pai que morreu há tanto tempo, sinto saudade das pescarias e hoje sendo o dia do pescador faço essa singela e sincera homenagem. Tenho a mais absoluta certeza que é a forma mais apropriada de lembrar da sua memória. Obs.: O cão ao lado era meu, chamava-se, pasmem, “Hitl...

CARUARU - SÃO PAULO, EM 1943

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Uma boa conversa, muito humor e muita história. Conheci uma pessoa magnífica no último fim de semana, um senhor de 87 anos, operário metalúrgico, soldador, da Volkswagem, caruaruense, chamado Júlio. Trabalhou duro durante 38 anos e está aposentado há 30 anos. Em meio a histórias de chão de fábrica ele contou e verdadeira saga que foi a viagem de Caruaru a São Paulo em 1943, antes da Rio-Bahia, antes do Juscelino. Foram três semanas pelas estradas de terra da Bahia e principalmente de Minas Gerais num pau de arara lotado. Muita coisa foi esquecida, disse ele, mas a alimentação precária não esqueceu. Era apenas farinha de mandioca, charque, rapadura e água. A farinha e a água eram por conta da "passagem", o charque e a rapadura não. O fato de ter uma dieta restrita durante três semanas não incomodou, o que realmente atrapalhava era o motorista não parar durante o dia, isso significava comer charque cru com farinha no almoço, durante três semanas. Bem, seu Júl...

O MILITANTE PETISTA E O CÃO QUE CORRE ATRÁS DOS AUTOMÓVEIS

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Na próxima semana, possivelmente, cai Cunha e o PT será inundado pela síndrome do cachorro que corre atrás de carro. Você conhece a síndrome de cachorro que corre atrás de carro? Não! É o sentimento que um cão tem no momento que o automóvel que ele perseguia latindo parou. É assim: "Venci! e agora o que faço?". Claro que o automóvel não é uma presa para o cão, é apenas um desafio, uma provocação, assim, ele só tem ser ventia quando em movimento, como um desafio e não como uma conquista. Muita coisa na vida funciona assim. Conheci um cidadão que dedicou boa parte da vida a denúncia do regime racista da África do Sul e pedindo pela libertação de Mandela. Quando o regime caiu e Mandela foi eleito presidente ele ficou perdido, sem saber o que fazer da vida. Para ele Mandela só tinha serventia na cadeia. Quais são as alternativas para o cão que correr atrás do automóvel, então? 1. Ao carro parar, levantar a perna e mijar na roda do carro, para mostrar superior...