23 de out de 2017

QUEM APOSTOU EM PAULO CÂMARA, GANHOU.

 

Agilidade, tranquilidade e coragem, foi essa a receita de Paulo Câmara ao assumir Pernambuco em meio ao que a história certamente dirá que foi a maior crise dos últimos cem anos.

Conheço Paulo há muito tempo e já sabia das suas virtudes de estudioso dos problemas do estado e bom administrador. Mas, o que vi nos últimos meses me surpreendeu. Dizem que mar calmo não faz bom marinheiro e Paulo não teve calmaria desde que assumiu, foi uma tormenta constante, mostrando ele como um bom marinheiro e bom capitão.
Paulo Câmara é, na verdade, uma novidade para Pernambuco e para o Brasil. Jovem, começou na vida pública com a ajuda de Eduardo. Sempre se manteve distante dos vícios da política mesquinha e retrógrada. Paulo não possui uma origem “aristocrática” urbana ou rural, comum entre os políticos de Pernambuco, é um típico representante da classe média, que cresceu e ganhou a vida estudando, tirando boas notas e trabalhando muito. Essas características presentes em Paulo, são as mesmas que desejamos para um novo homem público. Um modelo que seria uma alternativa aos que estão desiludidos com a política.
Mas, o que aconteceria se ele fosse derrotado pela crise, fraquejasse ou cometesse algum deslize grave? Seria não uma derrota de Paulo ou do seu partido, mas de todos os progressistas do estado e do país. Uma vitória da velha política, anacrônica e viciada. Seria o velho derrotando o novo, o barracão da usina derrotando a universidade. Paulo não podia errar e não errou.
Veio a crise da segurança, complexa, com a economia do estado combalida. Era necessário tratar um assunto potencial explosivo e de grande gravidade. A polícia são homens armados. Outros estados como o Rio de Janeiro e o Espirito Santo, explodiam em violência e Pernambuco era o próximo da lista.
Era necessário fazer mais do que foi feito nos outros estados, era necessário romper paradigmas. Existia um perigo social maior que qualquer os interesses corporativos. Era imperativo não transigir dos direitos à segurança da população, não se dobrar a chantagens.
Paulo mostrou-se bom capitão e passou pelo teste. E não foi coisa fácil.
Quem apostou contra ele, perdeu.

18 de out de 2017

MINHA COR É A AMARELA, MAS HOJE ESTOU DE VERMELHO

Hoje coloquei minha camisa polo vermelha Pantone 182. Estou voltando a usar a cor vermelha, estava com saudade. Essa é a segunda vez que sou impedido de usar uma cor por razões políticas. A primeira foi a amarela no início dos anos noventa, era a cor de Joaquim Francisco, agora a vermelha, cor de Lula, Dilma e do PT.
Dá pra passar sem a cor vermelha, mas não sem a amarela. Sei que ter fixação por uma cor não é um sinal de boa saúde mental, tenho plena consciência que não sou muito bom do juízo, mas a amarela é fascinante, mágica.
Preste atenção, uma bela mulher fica ainda mais bela de vermelho, mas uma bela mulher de amarelo transcende, fica estonteante. Na natureza o amarelo é um sinal de fruta madura, pronta para comer, é a cor do mel e do trigo na colheita.
Na mitologia grega é a cor de Afrodite (Vênus para os bárbaros romanos), deusa do amor sexual, da luxúria, dos desejos incontroláveis. A única deusa que não pode ser contida, convencida ou controlada. É também a cor da alquimia, do ouro, da transformação.
Amarelo é amor, é o planeta Vênus, setembro, libra.

17 de out de 2017

A CORRUPÇÃO E O MERCADO DE PARLAMENTARES | LEI DA OFERTA E DA PROCURA

Funaro disse em seu depoimento que o preço do congressista não mudou nos últimos vinte anos. Cunha pagou o mesmo para tirar Dilma que foi desembolsado por FHC para na própria reeleição.
Levando em conta a inflação do período, um parlamentar hoje sai por menos da metade do preço do período FHC. Durante a era petista ocorreu uma expansão do mercado da corrupção e por conseguinte uma queda nos preços e desvalorização do produto.

1 de out de 2017

AS PESQUISAS E O RABO DO GATO

Confesso, tenho uma grande simpatia por Arraes, em especial por um tipo de inteligência que ele possuía, uma espécie de ceticismo dialético espontâneo. Não era fácil enganar Arraes, ele não era seduzido por marqueteiros (místicos ou pseudocientíficos), pesquisas ou por narrativas fáceis. Arraes tinha seus próprios critérios de julgamento.
Recentemente vi muita gente se contorcendo para explicar por que Lula continua favorito nas pesquisas e o significado disso. Caso Arraes estivesse vivo para comentar daria uma boa gargalhada e diria que essa pesquisa não significa nada que tenha relevância para a eleição. Ele estaria certo, certíssimo.
Vou usar um pouco de dialética hegeliana para tentar explicar o que Arraes diria em uma gargalhada.
A opinião pública, ou seja, a opinião capturada por uma pesquisa com métodos estatístico, é qualitativamente diferente da opinião de uma única pessoa. Quando se torna multidão ocorre uma transformação qualitativa e mudam as leis e os princípios que regem os fenômenos. A dinâmica do comportamento mental individual é diferente do da multidão. A inteligência como conhecemos, reflexiva, que se desenvolve num processo dialético de interação com outras opiniões, é inócua para a multidão. Tentar explicar o comportamento da multidão com os mesmos princípios da inteligência humana é como tentar compreender um formigueiro estudando uma única formiga.
Assim, nenhum comportamento individual ou julgamento moral é válido para ser usado na multidão. Não existe um “cinismo prático” tipo “rouba mas faz” e nem um “reconhecimento pelas conquistas”. Não é isso, esses são valores de uma outra escala de análise, a psicológica e moral.
As pesquisas de opinião mostram algo peculiar, entretanto, precisam ser vendidas pois são produtos, e para serem vendidas precisam ser úteis, mesmo que a utilidade seja apenas a de iludir com uma áurea científica.
Então, o que é medido pelas pesquisas? Que fenômeno elas explicam?
Como gosto de felinos vou usar um para explicar. Imagine que o gato seja o humor da multidão, a essência do humor, e o movimento do seu rabo seja o fenômeno capturado pelas pesquisas. Bem, o rabo pertence ao gato, é gato, entretanto existe gatos sem rabo, mas não rabos sem gatos. O rabo pertence ao gato, mas não comanda o animal que pode até não o ter ou não usá-lo. Pelo rabo é possível conhecer algo do gato, mas não tudo, na verdade muito pouco. Um cientista observando apenas o rabo poderia chegar a inúmeras conclusões equivocadas. O gato agita o rabo de determinada forma quando está caçando. O cientista conclui: “o gato está pegando um rato”, mas gatos as vezes agitam o rabo quando dormem, quando de fato ele estão apenas sonhando com uma caçada.
O fato de conhecer o fenômeno não implica em conhecer a sua essência, mas apenas uma manifestação dela.
Nas pesquisas de opinião converte-se o fenômeno em essência para ser melhor compreendido e vendido. A multidão cria um rosto, transforma-se em pessoa, faz julgamentos morais e éticos, tem personalidade pois assim o produto torna-se útil.
O todo torna-se a mínima parte, o rabo torna-se gato, inteiro.

O debate continua.