18 de out de 2016

LUCROS INDIVIDUAIS, PREJUÍZOS COLETIVOS


A esquerda finalmente começa a acordar. Ontem o petista Carlos Árabe escreveu uma frase que representa bem esse momento, disse ele: “Chegou ao limite a nossa cota de martírio". Ele está correto, mas quais são as soluções?
A imagem do PT está definitivamente destruída, seria melhor ser descartada ou transformada de uma forma que não sobrasse nenhuma ligação com a corrupção e a incompetência. Essa transformação poderia vir com a formação ...de uma frente de partidos.
Ora, isso seria apenas uma repactuação do mesmo pensamento que fundou o PT. Esse modelo cria sempre um grupo “majoritário” que se transforma num parasita dos outros grupos. Suga a autonomia e faz o hospedeiro renunciar na marra a qualquer pensamento político autônomo, é uma espécie de poder moderador, imperial. Na Venezuela uma ideia similar pasteurizou a esquerda. A criação de um “novo PT” em forma de frente, com a inclusão de outros partidos e grupos que não fazem parte do partido, é uma saída que significa na prática a liquidação desses partidos.
Mesmo após provocar uma derrota acachapante, vergonhosa, que desidratou a esquerda, o PT ainda pode computar alguns ganhos secundários: conseguiu identificar a si mesmo como “esquerda” e quem é contra como “direita reacionária e golpista”. Criar um partido que una parte da esquerda sob sua direção consolida esse ganho secundário, transforma em definitivo. Mesmo após provocar o desastre, ainda existe como explorar as sobras.
Algumas perguntas: se a ideia de um "partido de frente" é boa, por que não foi usada antes? Reformulando, por que o PT no poder não pensou seriamente em formar o tal "partido de frente"? Simples, para não dividir os cargos, o poder. Era mais vantajoso negociar com os partidos como aliados e não correligionários. Agora que caiu em desgraça precisa dessa "frente" para diluir o desgaste. Lucros individuais, prejuízos coletivos.

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