1 de jun de 2016

O BARRO QUE SOMOS FEITOS


O barro que somos feitos são as terras das quais pertencemos, para mim Garanhuns, São João, Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus. Sou filho um pouquinho de cada lugar desses. Garanhuns do meu tempo de menino e das matinês no Cine Veneza; São João das pescarias e do meu pai; Belo Jardim da adolescência, da Festa de São Sebastião, Marocas e dos amores inesquecíveis; Brejo da minha mãe, minha tia Urze, Tio Neco, Serra do Ponto e da tardes no Escorrego. Para o Recife, bem, sobrou apenas o resto. Sinto muito Recife.
O mundo começou em Garanhuns, para mim textualmente, nasci lá, é meu elemento primordial, sou parte da paisagem, as palavras ditas nas ruas são no meu perfeito idioma e não num dialeto qualquer do Recife, São Paulo ou Bahia. Lá a terra é branca e não massapé e faz um frio maravilhoso, perfeitamente adaptado à vida humana.
Se meu destino não for mesquinho, como já disse Patativa, quero ter a oportunidade de ter uma casinha por lá.
Belo Jardim, bem, amo muito; mais as pessoas, menos as coisas. Foi uma terra de passagem. Belo Jardim é movimento, é mudança. Já não me sinto pertencente à paisagem, sem falar nas muriçocas.
O Brejo é o onde estão localizados os portais dos Campos Elísios. Quando morrer não ficarei em Garanhuns ou qualquer outra paragem, migrarei para o Brejo da Madre de Deus em busca desses portais, onde, com certeza, serei recebido por Roberto Tavares (pronuncia-se "Ruberto") meu avó. Não consigo imaginar outro lugar para a os deuses terem escondido os portais do paraíso. Caso não estejam localizados no Brejo, sinto muito, eles não existem.

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