7 de jan de 2016

CARUARU - SÃO PAULO, EM 1943


Uma boa conversa, muito humor e muita história.

Conheci uma pessoa magnífica no último fim de semana, um senhor de 87 anos, operário metalúrgico, soldador, da Volkswagem, caruaruense, chamado Júlio. Trabalhou duro durante 38 anos e está aposentado há 30 anos. Em meio a histórias de chão de fábrica ele contou e verdadeira saga que foi a viagem de Caruaru a São Paulo em 1943, antes da Rio-Bahia, antes do Juscelino.
Foram três semanas pelas estradas de terra da Bahia e principalmente de Minas Gerais num pau de arara lotado. Muita coisa foi esquecida, disse ele, mas a alimentação precária não esqueceu. Era apenas farinha de mandioca, charque, rapadura e água. A farinha e a água eram por conta da "passagem", o charque e a rapadura não. O fato de ter uma dieta restrita durante três semanas não incomodou, o que realmente atrapalhava era o motorista não parar durante o dia, isso significava comer charque cru com farinha no almoço, durante três semanas. Bem, seu Júlio disse ser uma pessoa de sorte, tinha acertado na compra do charque em Caruaru, era uma carne macia.
Foi nesse clima que resolvi contar uma piadinha de retirante. Num pau-de-arara lotado, uma mocinha recém casada acomoda-se para dormir e sentindo algo estranho pergunta ao marido:
- Zé, tais n'eu?
- Não Zefa, responde o marido.
- Então, tão.
Ele soltou uma gargalhada sonora e espontânea, riu durante alguns minutos repetindo o diálogo já no meio das filhas e netas satisfeitas com a alegria do avô.
Depois de mais prosa ele se recolheu feliz e de bom humor pela boa conversa e eu pela oportunidade de fazer um bom amigo e conhecer uma parte tão importante da nossa história contada com tanto bom humor por uma pessoa que presenciou o Brasil transforma-se nessa imensa nação que é hoje.

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