17 de nov de 2015

O SUICÍDIO DE MULHERES NO INÍCIO DO SÉCULO XX.


Os registros policiais do início do Século XX guardados no Arquivo Público de Pernambuco mostram um traço trágico da terrível condição de opressão que viviam as mulheres, o elevado número de suicídios de jovens no Recife e em todo Pernambuco. Até os anos da minha adolescência em cidades como Garanhuns e Brejo da Madre de Deus era comum escutar que alguma mocinha com 15 ou 18 anos tinha tentando o suicídio cortando os pulsos pelos pais proibirem um namoro ou outra coisa similar. Também era comum casais que fugiam para casarem ou viverem juntos longe das famílias. As moças eram “roubadas”, segundo se dizia na época.
O suicídio é uma medida desesperada de uma pessoa que não ver nenhuma saída, uma situação de terrível violência que felizmente quase não existe mais.
Essa situação era comum em muitos países é foi retratado na ópera de Puccini “Gianni Schicchi” em sua ária “O mio babbino caro”, onde uma mocinha, na mesma situação canta para o pai:

Em italiano
O mio babbino caro,
mi piace, è bello, bello.
Vo'andare in Porta Rossa (it)
a comperar l'anello!
Sì, sì, ci voglio andare!
e se l'amassi indarno,
andrei sul Ponte Vecchio,
ma per buttarmi in Arno!
Mi struggo e mi tormento!
O Dio, vorrei morir!
Babbo, pietà, pietà!
Babbo, pietà, pietà!

Em português:
''Oh meu amorzinho querido
Eu amo-o, ele é tão belo;
quero ir até Porta Rossa
Para comprar o anel!
Sim, sim, eu quero!
E se o meu amor fosse em vão,
eu iria até Ponte Vecchio,
e me atiraria ao rio Arno!
Eu choro e sofro tormentas!
Oh Deus, preferia morrer!
Pai, tende piedade, tende piedade;
Pai, tende piedade, tende piedade!

6 de nov de 2015

O MARTELO DE LULA

Um ditado que gosto que diz: "Dê um martelo a uma criança que o mundo vira um prego".

A atração da criança pelo objeto é a mesma que os adultos têm pelas suas profissões ou pelos modelos que representam. Para muitos jornalistas o mundo é uma grande redação, para um publicitário - uma agência, para um sindicalista - um sindicato, para um ongueiro - um catálogo de causas a serem defendidas. Cada um carrega as coisas boas, as virtudes do seu pequeno universo, também os defeitos e deficiência e assim vai batendo seu prego pela vida.
No poder presidencialista imperial que temos é fácil enxergar esse mecanismo funcionando. Os militares criaram seu martelo, seu modelo, baseado na caserna, conhecemos o resultado. Fernando Collor reproduziu em Brasília o seu próprio “martelo alagoano” e saiu “batendo” por todo canto, criando pequenas “Alagoas”, o resultado também é conhecido. Fernando Henrique buscou um modelo mais amplo, um “martelo paulista-neoliberal-fashion” e assim por diante.
O PT tem um “martelo-sindical-paulista”, e o resultado é a reprodução dos defeitos presentes no molde, vejam algumas características:

POUCA OU NENHUMA PREOCUPAÇÃO COM A EFICIÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO
Ora, administrar bem envolve não falir o negócio e sindicatos são entidades do tipo “highlander”, não vão à “falência”, mesmo depois de vilipendiados, depenados e esquartejados. Sempre chega a contribuição sindical no mês de maio e ele renasce das cinzas.

POUCA OU NENHUMA PREOCUPAÇÃO COM A TRANSPARÊNCIA E A LEGALIDADE
Sindicatos são entes quase “fora do estado”, não prestam contas a ninguém, nada os regula ou fiscaliza. É o reino do patrimonialismo, daquele sentimento que a entidade pertence ao presidente e seus familiares e assessores.

POUCO OU NENHUM RESPEITO POR PROCESSOS DEMOCRÁTICOS
Sindicatos não são conhecidos pelos processos democráticos. Tem uma máxima que resume bem: “numa eleição sindical vale tudo, até voto”.

Aplicando esse martelo o PT e Lula criaram em Brasília um “estado petista” e agora estão pagando pelos erros do modelo.

A esquerda e o movimento sindical e popular precisa aprender com essa experiência: prezando pela eficiência e boas práticas administrativas; criando mecanismos de transparência; respeitando e promovendo a legalidade, inclusive da Lei de Responsabilidade Fiscal; respeitando os mecanismos democráticos e a boa ética republicana, mesmo quando os resultados são adversos.