9 de jul de 2013

OH DIA, OH VIDA, OH AZAR!

O que é mais prejudicial ao príncipe, escutar o otimista, o puxa-saco ou o pessimista?
O puxa-saco é um personagem conhecido, o bajulador, adulador. Aqueles que cercam os poderosos, para tirar proveito ou simplesmente brilhar um pouco, pois a luz do príncipe refletida em sua mediocridade pode ser a única forma de reluzir que venham a ter na vida.
O puxa-saco é, então, por essência, um ser desprovido de pensamento próprio, apenas reflete a opinião do seu senhor, como um espelho ou uma catedral onde se escuta apenas o próprio eco.
O otimista é bem diferente. É aquele que acredita, consciente ou inconscientemente, que o universo trama a favor do soberano, que mesmo as situações mais adversas levarão a avanços, que a soma geral de tudo que é feito será sempre positiva. O otimista é, por essência, místico na política pois acredita que é um soldado de uma força maior, bondosa, positiva, inteligente e que luta contra forças do mal, ruins, más, negativas e sem inteligência. Para o otimista tudo que é tocado pelo príncipe recebe sua graça e torna-se parte do bem.
Esse tipo de gente gera os chatos mais convictos que existem. Seres abomináveis.
O maior perigo para o príncipe é ficar cercado apenas de puxa-sacos e otimistas. Caso tenha tendência à soberba, à arrogância e à vaidade, o convívio com esses tipos será fatal, já que reforçam o comportamento agressivo e nublam o senso que leva a autocrítica e a humildade.
O príncipe medíocre, fraco nas ideias e nas virtudes, normalmente busca a companhia dos puxa-sacos e otimistas, relevando a importância dos pessimistas e dos humildes.
Dilma hoje vive esse drama. Cercado por puxa-sacos e otimistas e sem brilho para pensar por conta própria, mergulhou em uma crise que, tudo indica, terminará com sua desgraça.
O pessimista é o tipo mais documentado desses comportamentos. Inspirou um engenheiro da Força Aérea Americana Edward A. Murphy a formular a lei geral dos pessimistas que tem o seguinte enunciado: "Se qualquer coisa pode correr mal, então irá correr mal", ou em seu enunciado mais curto "Se algo pode dar errado, dará". O pessimista é um tipo desagradável, assustado, desconfiado, que possui uma agenda com muitas anotações e é obcecado pelos detalhes, pois são os detalhes mal tratados que constroem o fracasso.
No livro Otimismo, de Voltaire, o protagonista Cândido é as vezes acompanhado por um autêntico otimista, Pangloss, que vê todos os acontecimentos pelo lado positivo e sempre coloca o amigo em grandes apuros. Ao perceber o perigo Cândido acha um segundo conselheiro com comportamento oposto. Ao escutar a opinião do otimista e do pessimista Cândido consegue ter o controle de sua vida e sofrer menos desventuras.
A existência de um pessimista é fundamental. E se essa pessoa sofreu pelas decisões erradas e transformou esse sofrimento em um trauma, tanto melhor, trata-se do mais precioso exemplar do gênero, o pessimista pós-traumático.
Dizem que Bill Gates, inspirado pelo livro de Voltaire, sempre contratava um derrotado para a equipe, uma pessoa que havia passado por empresas que faliram, que tinha tomado decisões erradas e vivido falências traumatizantes. Assim, Gates conseguia manter o pés no chão, e conta a lenda, que foi uma dessas pessoas que sugeriu a mudança de direção em 1996, quando a Microsoft que ignorava a Internet passou a dar prioridade.
A Hanna Barbera criou um personagem que simbolizava o otimistas, Lippy o Leão e seu oposto a hiena Hardy Ha Ha. Nas aventuras da dupla sempre assistimos o conflito entre os extremos e não raramente os maiores apuros são provocados pelo otimista e as saídas encontradas pela hiena pessimista.
Compreender a necessidade de instituir essa saudável luta dialética entre tendências opostas para criar o movimento é o grande desafio não compreendido por Dilma.

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