5 de jul de 2013

O GOLPE MAIS GENIAL DA PRESIDENTA

O Senado deu um "desconto" nos verbas do pré-sal que iam para a Educação.
Mas, o que isso significa mesmo?
Essa disputa vem se arrastando há muito tempo, já havia sido alvo de uma luta aciradíssima entre os tais estados produtores e o resto do país, colocando em risco o mais precioso patrimônio do Brasil, o Pacto Federativo.
A disputa deixou à mostra todos os preconceitos da presidenta e do partido que a sustenta contra os municípios  e levou o governo a uma fragorosa derrota.
Aconteceu na votação sobre a distribuição dos royalties do petróleo. Tudo caminhava para que grande parte desses recursos fossem destinados aos caixas das prefeituras em todo o país, e com um detalhe maravilhoso, o Governo Federal não poderia desviar os recursos para outros fins (como faz com o IPI) e o valores seriam crescentes, aumentando com o pré-sal. Foi um parto difícil, mas os municípios tinham conseguido ganhar a batalha e o projeto ia para o gongo final no Congresso.
O governo reagiu e colocou todas as suas tropas para ajudar os estados produtores. Como na música de Luiz Gonzaga, os deputados que compreendem a importância do pacto federativo, não foram moles, partiram para o terreiro, sopraram o candeeiro e aprovaram a versão do Senado que distribuia com os municípios os royalties.
O que Dilma precisava para vetar a distribuição dos royalties com os municípios? Qual seria a bala de prata, o argumento irresistível que transformaria o limão da derrota numa limonada? A educação. A escolha apresentada a Nação era assim: Os royalties devem ir para as criancinhas e professorinhas da escola rural do interior do Amazonas ou para um prefeito corrupto e ignorante do interior do Nordeste?
Funcionou. Era impossível ser "contra a educação", ou seja, dar embasamento moral e político para derrubar uma ideia como essa. Dilma consegui finalmente golpear os municípios e o Pacto Federativo.
Ainda melhor, conseguiu ganhar um bônus.
Perguntou a presidenta a Nação: Sem o dinheiro dos royalties, como o Governo Federal poderia investir em Educação?  Ou seja, conseguiu arranjar um argumento para justificar a falta de prioridade para a educação não apenas no presente, mas no futuro e principalmente no passado.
A vacina perfeita contra qualquer acusação de falta de prioridade com a Educação. Genial! Gol para Dilma, gol para João Santana, possível autor intelectual da marketagem.
Agora aconteceu o que já era previsto. O Congresso Nacional começou a analisar o imbróglio e decidiu fazer as adaptações que deveriam ter sido propostas no Executivo.
Mais uma vitória da presidenta, tirou das suas costas o ônus da correção, deixando o "osso" com o Senado e seu presidente, o já desgastadíssimo Renan Calheiros.
Numa situação ridícula ficou o movimento estudantil ligado ao governo. Caiu na marketagem bem feita do João Santana e agora está sem nenhuma bandeira e sem ter como cobrar da presidenta. Vai para as ruas contra o Senado, que, convenhamos, não tem culpa no cartório.

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