8 de jul de 2013

DESSE MATO NÃO SAI COELHO

Um bom e combativo amigo de um desses partidos que apoiam o PT me perguntou agora a pouco em off se seria possível Dilma assumir uma plataforma de mudanças e reformas estruturais.
Acho que a resposta é dificilmente. Ela não deseja e já disse que não faz nada disso.
É fácil perceber isso pela ordem do pronunciamento de Dilma. O primeiro assunto tocado foi um compromisso com a atual política econômica, que é chamado pelo eufemismo de "responsabilidade fiscal", que representa a espinha dorsal da política neoliberal no Brasil e foi um compromisso assumido por Lula logo após sua eleição com a Carta aos Brasileiros.
Essa política consiste no "enxugamento  das despesas de custeio" da máquina;  a suspensão dos investimentos - usando hoje o recurso da burocracia onde a marquetagem do governo anuncia "x", mas só investe de fato "x/3", insuficiente para manter um crescimentos sustentável;  a manutenção do superávit primário em 3,2% e a ampliação da dívida interna em favor dos capital financeiro, entre outras medidas no estilo do FMI (para que FMI se temos em casa quem faça o serviço?).
Essa foi a PRIMEIRA parte do discurso de Dilma, um recado ao capital financeiro que o governo não irá se dobrar à vontade dos manifestantes para tomará medidas que não sejam do mais estrito interesse daqueles com o que o Brasil tem contratos a honrar, ou seja, dos credores.
Se a "Carta aos Brasileiros" foi o batismo do PT junto ao capital internacional, o discurso de Dilma  foi a crisma, a confirmação do compromisso assumido anteriormente pelo seu ex-chefe.
E tem mais. Para confirmar a renovação do novo compromisso o ministro Guido Mantega anunciou na sexta-feira um corte nas verbas de custeio de 12 bilhões de reais e na explicação mencionou na cara dura que era para "sacramentar os compromissos do governo com os anseios das manifestações". O valor é bem sintomático já que seria o suficiente para fazer as reformas do transporte público de São Paulo e a  manutenção da gratuidade por um ano. Pode não ser coincidência.
O que podemos esperar do segundo governo de Dilma? Reformas estruturadoras ou mais aperto? Pode ser que ela até consiga que o país permaneça crescendo 2 ou 3% aos ano, que a inflação fique em 6% e que a miséria e o desemprego não aumente descontroladamente, mas desse mato não sai coelho, desse governo não sai reforma, só marketagem.
Foi o recado que a chefa andou.

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