24 de jul de 2013

GAME OVER DILMA

Estamos ainda há muito tempo das eleições, mas o quadro já começa a dar sinais de sedimentação. Um dos fenômenos que está ocorrendo agora é a aproximação do PSB com o PMDB. Eu li esse semana na coluna de política de Leonel Rocha na ISTO É.
''Temer informará a ela (Dilma) que um grupo influente do PMDB defende o rompimento imediato com o Planalto e o apoio à candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).''
Ora, muita gente pode até achar surpreendente, mas esse movimento já era previsto e pode até ser antecipado e explicado usando a teoria dos jogos, chama-se equilíbrio de Nash. Trata-se de uma tendência ao equilíbrio que acontece entre dois concorrentes que aliam-se quando uma situação mostra-se desvantajosa para ambos. É uma espécie se simulação de um jogo de perde (PMDB), perde (PSB), transformado-se num ganha, ganha.
Podemos pensar numericamente assim: Vamos dar valores, a possibilidade maior de vitória vale 2 e possibilidade menor de vitória 1. As manifestações rebaixaram a nota de Dilma sozinha de 2 para 1. Ela precisava vencer no primeiro turno para ter uma nota 2 e essa situação só pode ser seriamente considerada numa aliança ampla. Assim, teríamos o seguinte quadro:

a) PSB + PT + PMDB = 6
b) PSB + PT = 2
c) PMDB+PT = 2
d) PSB+PMDB = 4

Como a possibilidade "a"  foi transformada em "c" por Eduardo, a melhor possibilidade de sucesso para o PSB e o PMDB seria a opção "d". O equilíbrio de Nash está favorecendo a aliança de Eduardo com o PMDB e praticamente excluindo o PT.
Ponto para Jarbas que mesmo não entendendo de Nash vislumbrou esse cenário.
Game Over para o PT.

PS.: Ficou uma coisa sem uma explicação clara, a razão de na alternativa "d" a soma ser "2+2" e não "1+1". Explico, seria devido a possibilidade real de vitória em segundo turno. Caso Eduardo passe para o segundo turno numa aliança com o PMDB ele vencerá o segundo turno em qualquer cenário. O mesmo não pode ser dito do PT. Assim, as possibilidades do PSB aliado ao PMDB valem um "2" enquanto as do PT, mesmo passando para o segundo turno, valem apenas um "1" pois a possibilidade de derrota é muito maior.

19 de jul de 2013

SERÁ QUE É VIÁVEL UM "VOLTA LULA!"?

"Lula candidato", esse é o mote do momento, tanto dos setores espontâneos do PT, quanto dos jornais que traduzem as opiniões da oposição ligada ao PSDB. Esse é um fenômeno político discreto, mas de imensa importância, marca o abandono da candidatura de Dilma.
Para o PT existe a necessidade de buscar caminhos alternativos para contornar o problema, para o PSDB a possibilidade de infligir uma dura derrota no PT.
Lula é um candidato formidável e vai bem nas pesquisas, se comparado à Dilma, mas, seria agora o melhor momento para ele enfrentar uma eleição? Acredito que não.
Sendo candidato Lula seria o alvo a ser atingido, dos grandes. Assuntos pessoais dificílimos como o seu relacionamento com Rosimary, os desmandos aprontados pela moça, o envolvimento no Mensalão e outros temas que voltariam com toda força, fustigando continuamente o candidato, fazendo ele assumir uma posição francamente defensiva, desmotivando as tropas lulistas e criando uma legião de traidores e desertores entre os aliados.
No campo das ideias a situação não é melhor. Lula teria que defender a herança de Dilma e a sua própria contra a forte cobrança de setores urbanos e da juventude que foram às ruas. Nesse quadro, acuado pelas denúncias e restrito nas opções sociais de campanha a candidatura de Lula torna-se frágil e pouco atraente.
Para o marketing político de oposição é simples criar uma estratégia reducionista, onde o culpado pelo Brasil não ter atingido o paraíso é Lula. Seria um prato cheio para uma campanha no estilo usado pelo Goebbels: simplifique e repita, com uma frases do tipo "O Brasil está mal e vai piorar com Lula, lá".
Assim, julgo que não é o melhor momento para Lula. Deveria ser poupado como uma importante reserva estratégico.
O candidato das forças populares, progressistas e de esquerda deveria ser alguém que representasse uma novidade na esquerda, agregasse forças políticas que estão dispersas ou vacilantes, assumisse apenas a parte boa da gestão petista, isoalando a problemática (eufemismo para "podre", Rarará!) e com compromisso em manter os avanços sociais e políticos conseguidos nos últimos 12 anos.
Alguém assim como Eduardo Campos.

16 de jul de 2013

SE É INEVITÁVEL, PODEMOS SUPORTAR

Uma mudança de estratégia poderia garantir o futuro do Partido dos Trabalhadores.

Perguntaram o que eu fazia para evitar problemas cardíacos, eu respondi, para evitar nada. Como assim nada?! Você está entregue?! Claro que não, apenas decidi por outra estratégia mais realista. Tenho 49 anos, estou acima do peso, minha informação genética não ajuda.  Meu pai morreu aos 65 de infarto, um irmão aos 54 também de infarto, outro de 59 por problemas circulatórios. Seria razoável esperar problemas aos 60 anos, numa média. Com esse histórico "evitar" é uma estratégia demasiadamente otimista, seria mais apropriado a estratégia de "suportar" o que é supostamente inevitável. É uma mudança significativa.
Tento criar uma estratégia sustentável, de longo prazo: não fumo e por nunca ter fumado não sou susceptível a uma recaída;  não bebo e por não apreciar conversa de mesa de bar dificilmente mudarei de ideia; não abuso do açúcar e por não apreciar chocolate continuarei assim;  faço exercícios aeróbicos com regularidade; faço o possível para rir bastante e ser feliz.
Com isso acho que não conseguirei evitar o infarto, é pouco e os números não me favorecem, mas, com certeza, posso suportar o tranco e sobreviver mais uns anos com dignidade.
O PT caminha para fazer uma reflexão similar. Com a forte queda confirmada pela pesquisa da CNT é necessário ser realista, EVITAR uma derrota de Dilma na eleição de 2014 é quase impossível. Seria mais inteligente mudar de estratégia e pensa em SUPORTAR o que mostra-se inevitável. O programa para essa mudança de paradigma seria: tomar medidas efetivas que evitem o aprofundamento da crise econômica; parar de procurar panaceias com os marketeiros de plantão ou com os aprendizes de feiticeiros como Mercadante; reconhecer que existe problemas, pedir desculpas a sociedaade e propor medidas efetivas de mudanças estruturais, mesmo que lentas e graduais;  criar alternativas eleitorais que funcionariam como "rotas de escape" para situações de emergência;  resguardar reservas para disputas futuras como Lula.
Assim, o PT estaria protegido e suportaria o tranco de uma derrota com poucas baixas, elegeria um aliado e Lula poderia sair como grande estadista.
Poderia pensar até em repetir Getúlio Vargas num movimento "queremista" para 2018, quem sabe.

14 de jul de 2013

UM TICKET JÁ É ALGUMA COISA.

Aparentemente Dilma deseja despejar o PMDB da vice presidência e substituir por Eduardo. Como isso pode acontecer?

Essa é uma pergunta que vale muito para o PT e toda a esquerda hoje. Temer, o vice atual, é um típico peemedebista, vendeu seu peixe LG pelo preço de iPhone, entregou um xinglingue com apenas um chip e agora quer o dobro ou devolução.
Dona Dilma do alto da sua conhecida arrogância imperial, passa para um interlocutor mais confiável a conversar com Eduardo, Lula. Entretanto, não é coisa fácil. A hemorragia parece que ainda não acabou e após a confirmação da eficiência e dos danos causados pelas manifestações  outras virão, atingindo cidades menores e num nível político mais elevado. A contraofensiva do governo foi inapropriada e ineficiente, não conseguiu dar resposta e ainda criou novas arestas, como com a classe médica.
Eduardo sabe disso. A vice presidência poderia ser um bom negócio em 2010, quando foi dado à Temer, mas hoje tem um valor apenas relativo. Hoje o que vale não é o compromisso de compor uma aliança e sim algo anterior, o compromisso de poder vir a assumir o compromisso no momento correto. Eduardo não vende uma certeza, vende uma possibilidade, uma simpatia, um ticket de confiança e, pelo bem da verdade, na situação que Dilma se encontra é uma oferta razoável.
Mas, o que Eduardo poderia receber em troca? Algo que colaborasse com sua boa reputação de administrador, de governador  que promete apenas o que pode fazer e as vezes surpreende com algo muito bom e que não estava prometido. Eu poderia tentar adivinhar sugerindo o metrô da Avenida Norte e as outras obras de mobilidade, algo como 12 bilhões.
E o que o PT pode fazer com o ticket oferecido por Eduardo? Caso consiga manter o patrimônio político e eleitoral até o ano que vem, pode trocar o bilhete por um Eduardo na vice, caso contrário, mais provável,  vale um ou dois ministérios no governo Eduardo em Brasília.
Pode também jogar o ticket fora, como desejam os petistas kamikazes, partir para uma carreira solo e rezar por um milagre.

9 de jul de 2013

OH DIA, OH VIDA, OH AZAR!

O que é mais prejudicial ao príncipe, escutar o otimista, o puxa-saco ou o pessimista?
O puxa-saco é um personagem conhecido, o bajulador, adulador. Aqueles que cercam os poderosos, para tirar proveito ou simplesmente brilhar um pouco, pois a luz do príncipe refletida em sua mediocridade pode ser a única forma de reluzir que venham a ter na vida.
O puxa-saco é, então, por essência, um ser desprovido de pensamento próprio, apenas reflete a opinião do seu senhor, como um espelho ou uma catedral onde se escuta apenas o próprio eco.
O otimista é bem diferente. É aquele que acredita, consciente ou inconscientemente, que o universo trama a favor do soberano, que mesmo as situações mais adversas levarão a avanços, que a soma geral de tudo que é feito será sempre positiva. O otimista é, por essência, místico na política pois acredita que é um soldado de uma força maior, bondosa, positiva, inteligente e que luta contra forças do mal, ruins, más, negativas e sem inteligência. Para o otimista tudo que é tocado pelo príncipe recebe sua graça e torna-se parte do bem.
Esse tipo de gente gera os chatos mais convictos que existem. Seres abomináveis.
O maior perigo para o príncipe é ficar cercado apenas de puxa-sacos e otimistas. Caso tenha tendência à soberba, à arrogância e à vaidade, o convívio com esses tipos será fatal, já que reforçam o comportamento agressivo e nublam o senso que leva a autocrítica e a humildade.
O príncipe medíocre, fraco nas ideias e nas virtudes, normalmente busca a companhia dos puxa-sacos e otimistas, relevando a importância dos pessimistas e dos humildes.
Dilma hoje vive esse drama. Cercado por puxa-sacos e otimistas e sem brilho para pensar por conta própria, mergulhou em uma crise que, tudo indica, terminará com sua desgraça.
O pessimista é o tipo mais documentado desses comportamentos. Inspirou um engenheiro da Força Aérea Americana Edward A. Murphy a formular a lei geral dos pessimistas que tem o seguinte enunciado: "Se qualquer coisa pode correr mal, então irá correr mal", ou em seu enunciado mais curto "Se algo pode dar errado, dará". O pessimista é um tipo desagradável, assustado, desconfiado, que possui uma agenda com muitas anotações e é obcecado pelos detalhes, pois são os detalhes mal tratados que constroem o fracasso.
No livro Otimismo, de Voltaire, o protagonista Cândido é as vezes acompanhado por um autêntico otimista, Pangloss, que vê todos os acontecimentos pelo lado positivo e sempre coloca o amigo em grandes apuros. Ao perceber o perigo Cândido acha um segundo conselheiro com comportamento oposto. Ao escutar a opinião do otimista e do pessimista Cândido consegue ter o controle de sua vida e sofrer menos desventuras.
A existência de um pessimista é fundamental. E se essa pessoa sofreu pelas decisões erradas e transformou esse sofrimento em um trauma, tanto melhor, trata-se do mais precioso exemplar do gênero, o pessimista pós-traumático.
Dizem que Bill Gates, inspirado pelo livro de Voltaire, sempre contratava um derrotado para a equipe, uma pessoa que havia passado por empresas que faliram, que tinha tomado decisões erradas e vivido falências traumatizantes. Assim, Gates conseguia manter o pés no chão, e conta a lenda, que foi uma dessas pessoas que sugeriu a mudança de direção em 1996, quando a Microsoft que ignorava a Internet passou a dar prioridade.
A Hanna Barbera criou um personagem que simbolizava o otimistas, Lippy o Leão e seu oposto a hiena Hardy Ha Ha. Nas aventuras da dupla sempre assistimos o conflito entre os extremos e não raramente os maiores apuros são provocados pelo otimista e as saídas encontradas pela hiena pessimista.
Compreender a necessidade de instituir essa saudável luta dialética entre tendências opostas para criar o movimento é o grande desafio não compreendido por Dilma.

8 de jul de 2013

DESSE MATO NÃO SAI COELHO

Um bom e combativo amigo de um desses partidos que apoiam o PT me perguntou agora a pouco em off se seria possível Dilma assumir uma plataforma de mudanças e reformas estruturais.
Acho que a resposta é dificilmente. Ela não deseja e já disse que não faz nada disso.
É fácil perceber isso pela ordem do pronunciamento de Dilma. O primeiro assunto tocado foi um compromisso com a atual política econômica, que é chamado pelo eufemismo de "responsabilidade fiscal", que representa a espinha dorsal da política neoliberal no Brasil e foi um compromisso assumido por Lula logo após sua eleição com a Carta aos Brasileiros.
Essa política consiste no "enxugamento  das despesas de custeio" da máquina;  a suspensão dos investimentos - usando hoje o recurso da burocracia onde a marquetagem do governo anuncia "x", mas só investe de fato "x/3", insuficiente para manter um crescimentos sustentável;  a manutenção do superávit primário em 3,2% e a ampliação da dívida interna em favor dos capital financeiro, entre outras medidas no estilo do FMI (para que FMI se temos em casa quem faça o serviço?).
Essa foi a PRIMEIRA parte do discurso de Dilma, um recado ao capital financeiro que o governo não irá se dobrar à vontade dos manifestantes para tomará medidas que não sejam do mais estrito interesse daqueles com o que o Brasil tem contratos a honrar, ou seja, dos credores.
Se a "Carta aos Brasileiros" foi o batismo do PT junto ao capital internacional, o discurso de Dilma  foi a crisma, a confirmação do compromisso assumido anteriormente pelo seu ex-chefe.
E tem mais. Para confirmar a renovação do novo compromisso o ministro Guido Mantega anunciou na sexta-feira um corte nas verbas de custeio de 12 bilhões de reais e na explicação mencionou na cara dura que era para "sacramentar os compromissos do governo com os anseios das manifestações". O valor é bem sintomático já que seria o suficiente para fazer as reformas do transporte público de São Paulo e a  manutenção da gratuidade por um ano. Pode não ser coincidência.
O que podemos esperar do segundo governo de Dilma? Reformas estruturadoras ou mais aperto? Pode ser que ela até consiga que o país permaneça crescendo 2 ou 3% aos ano, que a inflação fique em 6% e que a miséria e o desemprego não aumente descontroladamente, mas desse mato não sai coelho, desse governo não sai reforma, só marketagem.
Foi o recado que a chefa andou.

5 de jul de 2013

O GOLPE MAIS GENIAL DA PRESIDENTA

O Senado deu um "desconto" nos verbas do pré-sal que iam para a Educação.
Mas, o que isso significa mesmo?
Essa disputa vem se arrastando há muito tempo, já havia sido alvo de uma luta aciradíssima entre os tais estados produtores e o resto do país, colocando em risco o mais precioso patrimônio do Brasil, o Pacto Federativo.
A disputa deixou à mostra todos os preconceitos da presidenta e do partido que a sustenta contra os municípios  e levou o governo a uma fragorosa derrota.
Aconteceu na votação sobre a distribuição dos royalties do petróleo. Tudo caminhava para que grande parte desses recursos fossem destinados aos caixas das prefeituras em todo o país, e com um detalhe maravilhoso, o Governo Federal não poderia desviar os recursos para outros fins (como faz com o IPI) e o valores seriam crescentes, aumentando com o pré-sal. Foi um parto difícil, mas os municípios tinham conseguido ganhar a batalha e o projeto ia para o gongo final no Congresso.
O governo reagiu e colocou todas as suas tropas para ajudar os estados produtores. Como na música de Luiz Gonzaga, os deputados que compreendem a importância do pacto federativo, não foram moles, partiram para o terreiro, sopraram o candeeiro e aprovaram a versão do Senado que distribuia com os municípios os royalties.
O que Dilma precisava para vetar a distribuição dos royalties com os municípios? Qual seria a bala de prata, o argumento irresistível que transformaria o limão da derrota numa limonada? A educação. A escolha apresentada a Nação era assim: Os royalties devem ir para as criancinhas e professorinhas da escola rural do interior do Amazonas ou para um prefeito corrupto e ignorante do interior do Nordeste?
Funcionou. Era impossível ser "contra a educação", ou seja, dar embasamento moral e político para derrubar uma ideia como essa. Dilma consegui finalmente golpear os municípios e o Pacto Federativo.
Ainda melhor, conseguiu ganhar um bônus.
Perguntou a presidenta a Nação: Sem o dinheiro dos royalties, como o Governo Federal poderia investir em Educação?  Ou seja, conseguiu arranjar um argumento para justificar a falta de prioridade para a educação não apenas no presente, mas no futuro e principalmente no passado.
A vacina perfeita contra qualquer acusação de falta de prioridade com a Educação. Genial! Gol para Dilma, gol para João Santana, possível autor intelectual da marketagem.
Agora aconteceu o que já era previsto. O Congresso Nacional começou a analisar o imbróglio e decidiu fazer as adaptações que deveriam ter sido propostas no Executivo.
Mais uma vitória da presidenta, tirou das suas costas o ônus da correção, deixando o "osso" com o Senado e seu presidente, o já desgastadíssimo Renan Calheiros.
Numa situação ridícula ficou o movimento estudantil ligado ao governo. Caiu na marketagem bem feita do João Santana e agora está sem nenhuma bandeira e sem ter como cobrar da presidenta. Vai para as ruas contra o Senado, que, convenhamos, não tem culpa no cartório.

4 de jul de 2013

JOGA BOSTA NA GENI

A militância do PT já arranjou um culpado para todos os males que estão afligindo a presidenta Dilma: A Rede Globo. A emissora é como a Geni da Ópera do Malandro, é feita para apanhar, é feita para cuspir.
Será que a acusação corresponde a verdade? Tenho dúvidas.
Houve mudanças significativas nos últimos anos nos hábitos da classe média brasileira. A televisão aberta passou a ter uma importância secundária, sendo substituída pela TV a cabo e principalmente pela Internet. A geração da classe média que hoje tem 18 anos já não recebe influência da Globo, não assiste a programação. Essa juventude vê a Globo como um anacronismo, como uma coisa antiga que sobrevive para a mãe assista a novela e o pai o Jornal Nacional. O jovem vai ao Facebook e quando possui TV a cabo assiste Two and a Half Man ou The Big Bang Theory.  As grandes manifestações foram obra dessa geração.
A Globo envelheceu, em seu lugar os canais do Youtube e a Porta do Fundo, esse sim, mais influente e formador de opinião que o Jornal Nacional, pelo menos para os jovens que foram levar spray de pimenta na cara.
Então, por quê culpar a Globo? É bem simples, segue o princípio do malandro que dá umas porradas na amante que não estava em casa quando ele chegou da farra - ele não sabe direito a razão de está batendo, está bêbado, mas tem certeza que a amante sabe porquê está apanhando.
Faz até sentido, a emissora não é flor que se cheire e tem um currículo que não ajuda. Mas, dessa vez foi pega de surpresa, tanto quanto Dilma ou a direção da UNE, e não tem culpa no cartório.
Culpar a emissora como responsável, de forma integral ou parcial, pelo acentuado declínio do prestígio da presidenta é um erro tolo, uma tolice, mostra que o acusador pode está bêbado ou desorientado.

3 de jul de 2013

SERÁ NECESSÁRIO CHUPAR O LIMÃO

Para Dilma não será possível transformar o limão numa limonada, não desta vez.

Foi a polidíssima ministra Carmen Lúcia que deu o golpe definitivo na tentativa esdrúxula do governo Dilma de aproveitar as manifestações das ruas para garantir a própria reeleição. Não que o plebiscito seja má ideia, mas a tentativa de conduzir a consulta com o objetivo de imobilizar o Congresso apenas visando os interesses do PT é tão absurda, tão clara, tão assustosa, que Dilma conseguiu o que seria impensável, desfazer a unidade da base aliada que ela própria havia conseguido construir na semana anterior.
A presidenta tinha todos os elemento favoráveis para reforçar a unidade da sua base de apoio e promover reformas no Estado brasileiro que em nenhum momento dessa longa permanência do PT no poder foi realizada. Todos esperavam isso dela e assim, ela entraria para a história, consolidaria seu prestígio como grande administradora, escaparia da sombra de Lula e estaria naturalmente gabaritada para exigir do país e dos aliados a própria reeleição em 2014.
Desperdiçou. A montanha pariu um rato.
E fez mais, conseguiu assustar duas forças importantíssimas, que se agruparam ao seu lado logo nos primeiros momentos após as manifestações: o PMDB e o PSB.
Restou à presidenta a companhia de puxa-sacos notoriamente incompetentes como o ministro Mercadante e o ministro da justiça José Eduardo Cardozo, que em uma semana conseguiram colocar a presidenta pelo menos 3 vezes em situação ridícula para a Nação.
Na principal base de sustentação da presidenta, o PT e os partidos petistófilos periféricos, prospera a confusão e as mais obtusas teorias e explicações para o momento atual. Quando a realidade não é aceitável busca-se o misticismo e na política não é diferente.
Assim, afunda lentamente o PT. E permanecerá até um novo agrupamento de forças assumir o protagonismo e criar uma alternativa de poder para consolidar as mudanças que toda a sociedade brasileira deseja.
É o fim de um período histórico, o desfecho de um tempo que começou com a Nova República de Tancredo.