1 de jun de 2013

PORTAIS DO PARAÍSO

Sítio Estrago no Brejo da Madre de Deus, alpendre da casa de Roberto Tavares. Visão da localização mais provável dos portais dos Campos Elísios, do paraíso.

Minhas cidades são Garanhuns, São João, Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus. Sou filho um pouquinho de cada lugar desses. Garanhuns do meu tempo de menino e das matinês no Cine Veneza; São João das pescarias na companhia  do meu pai; Belo Jardim dos fervores da adolescência, da Festa de São Sebastião, Marocas e dos amores inesquecíveis; Brejo da minha mãe, minha tia Urze, Tio Neco, Serra do Ponto e da tardes no Escorrego. Para o Recife, bem, sobrou apenas o resto. Sinto muito Recife, a parte mais bonita não é sua.
O mundo começou em Garanhuns, para mim textualmente, nasci lá. Lá é meu elemento primordial, sou parte da paisagem. As palavras ditas nas ruas e nas casas são no meu exato idioma e não num dialeto qualquer do Recife, São Paulo ou Bahia. Lá a terra é branca e solta, não esse massapé argiloso da beira do mangue. Faz um frio maravilhoso e o ambiente é perfeitamente adaptado à vida humana, o ano todo.
Se meu destino não for mesquinho, mereço ter a oportunidade de ter a minha casinha por lá.
Belo Jardim, amo muito, entretanto, mais as pessoas e menos as coisas, exceto o rio Bitury que sempre tratei como gente. Foi uma terra de passagem. Belo Jardim é movimento, mudança, emoção. Já não me sinto pertencente à paisagem, sem falar nas muriçocas.
Brejo é o onde está localizado os portais dos Campos Elísios. Lá já está a minha mãe, meus irmãos e tios. Quando morrer não ficarei em Garanhuns, migrarei para o Brejo da Madre de Deus, onde serei recebido nas portas do paraíso por meu avô, Roberto Tavares (pronuncia-se com "u", assim: "Ruberto"). Não consigo imaginar outro lugar para os deuses colocarem os portais do paraíso. O melhor ponto é esse aí em cima, visto do alpendre da casa de Seu "Ruberto". Caso não estejam localizados no Brejo, sinto muito, esse tal paraíso não existe.

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