27 de abr de 2013

O TEATRO DA ELEIÇÃO


As eleições para presidente são como uma peça de teatro em dois atos. No primeiro ato, ou turno, os atores candidatos posicionam-se, mostram as suas armas, alianças e força, mas apenas no segundo ato é que realmente acontece o desenlace da trama. A peça pode ter apenas um ato e ser solucionada num movimento rápido, mas isso significa imensa superioridade em armas, alianças e força eleitoral, coisa rara.
Não é prudente criar uma estratégia para liquidar a peleja em apenas um ato, um turno, mesmo que as pesquisas apontem uma boa superioridade. Muitos fatores são invisíveis a olho nu, ou imponderáveis. O bom planejador considera uma eleição sempre em dois turnos e uma vitória em um turno é tratada como bônus.
Mas, o segundo turno não se inicia com os atores nas mesmas posições que terminaram o turno anterior. Não é como um novo capítulo de uma novela e sim como um novo episódio de um seriado. Os atores podem ser os mesmos, mas acontece uma rearrumação e quando as cortinas se abrem muitos que estavam de um lado do palco, estão do outro. É necessário garantir a disposição desses atores de assumir o lugar correto no segundo ato.
Assim, o bom planejador eleitoral considera suas forças primárias, que estarão desde o início ao seu lado, mas também as forças de reserva que serão acionadas no segundo turno.
A permanência do PSB até o último instante no governo seria esse “seguro”, e Eduardo uma forte força de reserva para o momento mais importante do embate.
Esse deveria ser a reflexão da Dilma em relação à Eduardo, mas parece não ser.
Então o que levaria Dilma a inverter a ordem da estratégia prudente, perder a temperança e expulsar Eduardo do Governo?
A resposta é óbvia e imediata: a possibilidade líquida e concreta de ser ele o adversário no segundo turno.

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