26 de fev de 2013

QUER QUEIRA, QUER NÃO QUEIRA.



Eu conheci esse cidadão nos anos 70, pelo personagem que ele incorporou "Biu Soriano". Vestia um terno preto com chapéu no estilo Waldick Soriano. Era a alegria das festas de São Sebastião em Belo Jardim. Sempre se apresentava antes das atrações, para a alegria do público. Chegava no palco em grande estilo, anunciado como um grande artista, cantava as músicas do ídolo e as de sua autoria sem esquecer de lançar o chapéu para o público, lembrando que precisava ser devolvido, claro. Biu Cantava uma música que ficou gravada na minha memória com o título "Quer queira, quer não queira, eu sou Waldick Soriano". Rarará!
Ele tinha problemas físicos, acho que foi a pólio, e psíquicos, mas não deixava se abater pelas críticas, chacotas ou pressões, fazia o que queria e será lembrado justamente por isso.
Muito tempo depois, quando tive a oportunidade de ler Elogio à Loucura de Erasmo, vi em todas as páginas a figura de Biu, a estultícia, a loucura branda e divertida que fazia dele uma pessoa tão querida, tão diferente.
Viver é impossível sem incorporar um pouco de Biu em nossas vidas, sem ser cliente da estultícia, sem um toque de loucura. Tantos passaram pela pobreza e pela necessidade de uma terra áspera e impiedosa como o Nordeste, mas Biu temperou a vida, a transformou num show, num carnaval, foi igual ao ídolo mesmo que por pouco instantes. Para ele a vida foi mais leve.
Soube que ontem morreu. Já era idoso, cansado e pobre. A cidade de Belo Jardim está de luto, eu também.
Descanse em paz Biu Soriano, vá ajudar o Waldick nos shows celestiais e brincar os carnavais que você tanto amava.
Ficamos aqui, fazendo de conta que somos normais, mas com uma vontade danada de fazer como você, sair por aí vestido de Waldick. Eu, por exemplo, poderia assumir James Brown ou Raul Seixas.

23 de fev de 2013

É POSSÍVEL COMPARAR?

Uma coisa que andou incomodando recentemente foi a comparação entre Julian Assange e a blogueira cubana Yoani Sánchez. Não existe nenhum forma de comparação possível, são objetos e proporções totalmente descabidas.


O que é Assange e o WikiLeaks?
São uma espécie de grupo guerrilheiro. Será que os Estados Unidos pode formalmente acusar Julian Assange de ser um criminoso? Sim, pois o que ele fez é crime perante a lei. Seu crime foi a divulgação de grande volume de documentos confidenciais da diplomacia americana. Assange e o grupo que trabalha com ele colocou a vida de pessoas, militares e civis, em risco e destruiu o trabalho de muitos anos do corpo diplomático americano. São crimes gravíssimos.
Caso ele pise em solo americano será preso, julgado e condenado possivelmente a pena máxima, pois a pena é proporcional aos danos causados.
Assange fez espécie de “terrorismo”, de pirataria. Suas ações não são sustentáveis do ponto de vista jurídico. O que ele fez foi, de fato, uma agressão ao estado de direito estabelecido como respeito às leis. A atitude de Assange só pode ser justificada como uma ação guerrilheira, num estado de guerra, contra um poder incontrolável, um Leviatã, onde essas ações sejam justificadas como uma autodefesa do cidadão impossibilitado de agir militarmente e diretamente contra o poderio militar. Assim, seria Assange um guerrilheiro, um combatente moderno que usa uma nova arma e novas estratégias na luta de guerrilha, o ataque cibernético.
Essa é a dificuldade que os países têm em dar asilo a Assange. Fazer isso é reconhecer formalmente que existe esse estado de guerra, que os EUA é um Leviatã incontrolável e assassino. Nenhum país em uso plenos das suas faculdades mentais faria tal coisa por representar quase uma declaração de guerra.
O asilo político dado pelo governo do Ecuador foi um ato de grande coragem. Nenhum outro país, incluindo o nosso Brasil, teve tal petulância.
Assange e o seu grupo do WikiLeaks, são guerrilheiros cibernéticos, heróis verdadeiros do nosso tempo, para figurar em nomes de logradouros públicos e escolas por todo o mundo no futuro.

E o que é a blogueira cubana Yoani Sánchez?
Apenas isso, uma blogueira. Faz denúncias e mobiliza uns gatos pingados. Deve receber algum recurso vindo dos EUA? Claro, nos EUA qualquer tipo de apoio significa dinheiro. Existe algo de errado na moça desejar juntar o dinheiro das viagens, apoios e das aparições para criar o seu próprio negócio de comunicação na Cuba que virá com a queda de Castro? Claro que não.
Comparar essa moça a Assange é desmerecer o trabalho magnífico do WikiLeaks. Ela só existe como fruto da degenerescência de um regime anacrônico, sustentado, paradoxalmente, pela asnice e estreiteza política da extrema direita norte-americana. Baixe o bloqueio, volte as relações diplomáticas com Cuba, restabeleça uma relação política civilizada que o regime cubano, que hoje parece sólido. desmancha no ar, sublima, e essa moça volta a irrelevância que teria num país como o Brasil, por exemplo.

20 de fev de 2013

HOJE TEM REUNIÃO EM CUPERTINO.



Qual a notícia do dia? O lançamento do Google Glass pelo Google. Deixou o mercado em pânico, mas a Apple, principal inimiga do Google nesse terreno, não tardou a despachar seu exército na mídia para atacar. A Wired fez uma matéria hoje dizendo que o Glass era caro, precário, e que a tecnologia de comando de voz não funciona bem. Mas é apenas espuma. O que de fato aconteceu foi uma inovação significativa. Um dispositivo funcional de realidade aumentada colocado no mercado antes do que era esperado pela concorrência.
Quem sai perdendo? A Apple. perdeu o protagonismo. Ela teve o seus momentos de glória ao lançar o iPhone e o iPad. Agora amarga derrotas consecutivas. A primeira contra a Samsung no seu próprio campo, com o lançamento do Galaxy Tab de 7 polegas; a segunda contra a Google com a perda do domínio para o Android e a terceira contra a Microsoft que se antecipou e lançou o Windows 8 com a integração entre tablet e desktop, não alcançada pelo sistema operacional da Apple, o OSX.
Com o Google Glass o Google cria um novo mercado, uma nova demanda, se estabelece no protagonismo das inovações e relega a Apple ao seu gueto, fiel e gastador, mas pequeno e volúvel.

O MARKETING DA MISÉRIA OU A MISÉRIA DO MARKETING

O governo Dilma está vivendo um problema muito curioso com a taxa de câmbio. Existe uma necessidade de desvalorizar o real frente ao dólar, para melhorar o desempenho das exportações e equilibrar mais a balança comercial para para o lado azul. A desvalorização também é importante para aumentar o nível da produção e barrar o gasto no exterior. Tudo isso é muito bom e precisamos muito.
Mas, os marketeiros do governo decidiram usar na propaganda a maior obra do Governo do PT, que foi uma redução significativa da miséria. Isso tem grande apelo e significado político na próxima eleição. Mas, como transformar um ente, a miséria, que não é vista pela classe média, formadora de opinião, em algo visível, mensurável? Com números.
Os números, as cifras e os índices nunca mentem, pelo menos quando o assunto é propaganda.
Qual seria, então, o número “matador”, inquestionável? Seria o do Banco Mundial, que considera US$ 1 por dia o mínimo para definir quem está acima da linha da miséria absoluta. Seria inquestionável, chancelado pela comunidade internacional.
Vamos a conta: com o dólar a R$ 1,96 o valor seria algo como R$ 59,60. Com o dólar a R$ 2,30 como querem os economistas do Mantega, o valor seria R$ 70,00.
O Brasil poderia começar o ano sem miséria absoluta e terminar com um crescimento de 12%, ou seja, o governo Dilma não seria aquele que acabou com a miséria e sim o que fez ela crescer a uma taxa descontrolada. Desvalorizar o real seria transformar Dilma na presidenta que jogou o Brasil na miséria absoluta.
Assim, a elevação da taxa do câmbio entre o dólar e o real poderia inviabilizar o instrumento de propaganda. Ele deveria ser descartado.
Qual seria a solução? Apelar para a ciência estatística, usar os números do IBGE que apontam para uma redução significativa da miséria, mas não tem o mesmo impacto. Já imaginaram que coisa chocha num discurso: - No meu governo a miséria teve uma redução significativa! Não dá. O bom seria: - Acabei com a miséria absoluta no meu governo. Aí sim!
Então, a propaganda do governo ficou refém do dólar baixo. Se aumentar Dilma vira a mãe da miséria absoluta.
A pajelança do marketing continuou.
Existia uma saída híbrida, um segundo truque: calcular o índice miséria absoluta pelos índices do IBGE, baseados na mais rigorosa ciência estatística, e a redução dos tais índices pelos cadastros do bolsa família, mais generosos.
Assim, ficou decidido: no marketing do governo se mede com um paquímetro, se marca com um giz e se corta com um machado.

16 de fev de 2013

HOMOSSEXUALISMO É DO REPERTÓRIO

O zoólogo inglês Robin Baker faz uma reflexão interessante sobre o homossexualismo do ponto de vista evolutivo. Segundo ele todo mamífero evolui com um repertório de comportamentos sexuais. Isso ajuda na adaptabilidade, o comportamento único pode ser uma ameaça, um risco. Baker reconhece dois comportamento “gays” como os mais comuns: o homossexual exclusivo e o bissexual.
Os bissexuais são explicados evolutivamente como um tipo de comportamento que expande a duração da vida sexual masculina, antecipando. Assim, o bissexual já começa a ter uma vida sexual ativa aos 8 ou 9 anos, chegando na maturidade experiente, o que só acontecerá num heterossexual aos 16 ou 18 anos. No ambiente ancestral a vida era curta e dois ou três anos de vida sexual ativa a mais poderia resultar numa grande vantagem.
Assim, o bissexualismo evoluiu com a espécie e continuou existindo por trazer uma clara vantagem evolutiva. A atração sexual pelo mesmo sexo seria uma espécie de subproduto, já que o bissexual não consegue distinguir bem a diferença de gênero, para ele uma ambiguidade.
Diz Baker que os bissexuais são pessoas de vida agitada, que fazem muitas escolhas difíceis baseadas nos desejos e estão sempre mudando. Estão programados para começarem cedo, viverem intensamente e morrerem aos 25 ou 30 anos. Na vida ancestral essa era uma estratégia de sucesso.
Os homossexuais exclusivos são explicados de forma mais prosaica. Diferente do bissexual que têm na diferença gênero uma ambiguidade, o homossexuais exclusivo é seletivo, mas escolhe o mesmo sexo. Segundo Baker a resposta está na análise estatística. Enquanto a população de bissexuais está em torno de *8%, podendo variar regionalmente, os homossexuais exclusivos têm uma taxa fixa de *1,7%. Esse número tem um significado especial por tratar-se de um índice conhecido de algumas variações genéticas bem estudadas.
Assim, ambos, os “bi” e os “exclusivos” são partes do repertório dos nossos comportamentos sexuais e devem ser devidamente respeitados.
Mas, esse raciocínio também pode levar a algumas conclusões não tão interessantes.
Se considerarmos os bissexuais e homossexuais como pertencentes legitimante ao repertório humano, muitos outros comportamentos podem também ter esse reconhecimento como o pedófilo, o estuprador, o heterossexual exclusivo e agressivo, etc. Todos eles podem ser explicados dentro de uma perspectiva evolutiva, e não serem classificados como “doenças” ou “desvios”.
Isso prova que os critérios zoológicos e evolutivos não podem serem usados como justificativa para dar ou tirar um direito. O gay deve ter todos os seus direitos respeitados não por ser “diferente”, mas por ser humano, por ser um indivíduo, um ser único. Seus direitos vão até o limite de quando começa o direito do outro ser humano. Não importa que o estuprador ou o pedófilo não possam controlar suas emoções. Suas práticas invadem os direitos de outras pessoas e devem ser tratados no rigor da lei. Nesses casos a lei, o direito, está acima da biologia.
O mesmo pode se dizer do lado ético daqueles que, tendo um comportamento “diferente” não afrontam a lei.
Assédio, aliciamento, constrangimento e atentado ao pudor, também são crimes.
É necessário que a lei ofereça as condições necessárias para a realização do indivíduo, mas também é necessário que cada variação desse nosso imenso repertório sexual respeite a outra, que seja estabelecida uma “etiqueta”, uma ética, um modo de convivência, onde cada um se realiza dentro de sua sexualidade sem atrapalhar a vida alheia.

* Não tenho segurança desses números, carecem de verificação.

15 de fev de 2013

AGÊNCIA POPULAR

Certa vez, quando eu morava em Rio Doce, Olinda, uma vizinha ficou sabendo que eu iria criar um negócio próprio de propaganda, uma agência, e de forma cândida e desinformada perguntou interessada:

– É no Mercado de São José?

Fiquei surpreso, mas compreendi que a profissão de publicitário não existia no universo dela, e respondi em tom de brincadeira:

– Sim, mas no meio da rua, uma barraca.

– Então é bom gritar bem alto pois ali passa muita gente e tem muito barulho, respondeu a moça com um conselho.

Acho que foi o melhor e mais sincero conselho que tive na vida. Não devemos ter medo de ir para a rua, armar a nossa barraquinha e gritar bem alto, pois só assim conseguimos vender o nosso produto e ganhar honestamente a vida.

Mercado de São José, me aguarde.

13 de fev de 2013

POLÍTICA NO VATICANO

Uma das principais características da Loucura é dar opiniões sobre tudo. Eu, como dileto cliente da Loucura, sigo essa tradição com alegria.
Trema o Vaticano! Darei a minha opinião sobre a sucessão papal e, prestem atenção leitores, minha opinião é bem melhor e mais inteligente que a do Frei Leonardo Boff.
Na grande luta do século XX a Igreja Católica foi amplamente vitoriosa. Com João Paulo II a frente, deu relevante contribuição à derrota do comunismo com seu ateísmo anexado.
O comunismo foi uma ameaça real e imediata para a Igreja Católica. Desorganizou a Igreja Ortodoxa na Rússia e em outros países da Europa Oriental e dos Bálcãs, entrou dentro da própria estrutura da ICAR com a Teologia da Libertação e outros pensamentos congêneres, e ampliou o ceticismo e o ateísmo em países católicos. Hoje, não existe mais essa ameaça, o comunismo foi derrotado e seu principal representante, Stalin, satanizado e transformado na encarnação do mal. Ponto para João Paulo II.
Mas, contraditoriamente, a Igreja continua definhando. O Bento XVI veio para guiar os católicos em um “pós-comunismo”, mas ficou paralisado, era conservador em demasia, averso à mudanças e a Igreja precisava delas urgentemente.
Bento chegou a justificar a decadência da ICAR como uma espécie de “depuração”, queremos “menos e melhores”. Era apenas uma desculpa.
Na Rússia a Igreja Ortodoxa cresce e se recupera no pós-comunismo. Em outros países acontece o mesmo. Mas, nos domínios da ICAR quem cresce são as seitas pentecostais de influência norte-americana e hostis ao Vaticano, a não religião e o ateísmo.
Esse congelamento, essa falta de ação, essa estagnação da vida pastoral, deixa a instituição indócil, confusa, niilista, reduz as vocações, faz os religiosos preferirem a vida secular, o casamento, transforma questões menores em problemas pela falta de objetivos maiores. Essa foi a razão da queda do Bento.
Acho que o próximo papa trará grandes novidades para os católicos e não será o fim do celibato clerical ou o reconhecimento da união homoafetiva, isso é bobagem. O próximo papa fará a igreja crescer numa base mais pastoral, com a aproximação dos ortodoxos e anglicanos e tratando das divergência internas, europeias. É a Igreja do século XXI.
Portanto, não acredito que o Cardeal Bertone seja o próximo papa, ele é secretário de estado, justamente o cara que administrava a política furada do Bento.
Eu apostaria num nome mais pastoral, mais cura e menos cardeal.
Quem seria? Posso ser candidato? Sim! Obrigado. Chamem o Inri Cristo.

4 de fev de 2013

O SKEUOMORFISMO DE SCOTT FORSTALL.

Numa matéria para a revista Wired na Internet o jornalista Clive Thompson finalmente pronunciou as palavras que estavam engasgadas durante toda a era Jobs na Apple, a interface do OSX, baseado nas ideias de Scott Forstall, estão ultrapassadas e a Apple já está trabalhando numa outra interface.
Marca registrada da era Forstall foi uma característica de design conhecido como skeuomorfismo. Por definição é "um elemento de design ou estrutura sem nenhum ou quase nenhum propósito no artefato confeccionado em um novo material, mas foi essencial para o objeto feito a partir do material original". Um exemplo são os elementos de pseudo madeira em automóveis que simulam as antigas charretes, ou “parafusos” falsos no plástico para simular o metal original anterior.
Na Apple foi usado para criar um ambiente familiar aos usuários, Jobs adorava principalmente por trazer dificuldades para os outros sistemas operacionais.
A crítica é que os projetos de interface que usam skeuomorfismo são complexos, pesados, difíceis de serem modificados e conservadores
Com a morte de Jobs e Apple finalmente declarou a morte do skeuomorfismo e pretende lançar uma nova interface “limpa”.
Bem, agora terá que pesquisar da Microsoft com o revolucionário Windows 8. A Apple perdeu para a Samsung e agora está correndo atrás da Microsoft.
Triste fim.