24 de jan de 2013

TENHA FILHOS



Os filhos são a única forma verdadeira e material de sobrevivermos à morte. Essa vida após a morte, entretanto, cobra um preço e não é barato: a morte individual. A natureza nos dá, mas não desfrutamos, entregamos da mesma forma que recebemos dos nossos pais.
Somos seres integrados ao nosso tempo, à nossa época e morremos com ela. Esse é o sistema. Nossos filhos nos sucedem, da mesma forma de sucedemos nossos pais e avós. E assim vamos evoluindo, nos adaptando e nos transformando.
Somos um grande conjunto de células, mas somos um conjunto ainda maior não no espaço, como indivíduos, mas no tempo como linha evolutiva particular e como uma espécie no geral, Homo sapiens. O “eu” não está sozinho, ele é um “nós” atemporal. Somos uma corrente, o que nos antecedeu e o que nos sucederá. Sob nossa responsabilidade repousa o hoje, que nos foi passado pelo ontem e do qual depende o amanhã.
Muitos decidem não ter filhos, o sistema sabe sair dessa armadilha ignorando o indivíduo e cobra um preço caríssimo, retira a prerrogativa da vida após a morte. Para esses a morte é verdadeira. Quem não tem filhos não evolui. Pode ter sucesso na vida, ter grandes obras, mas, do ponto de vista mais básico, biológico, material, é um fracasso e não será apenas esquecido, será descartado.
Não conseguimos a imortalidade com nossos filhos, nada disso, a imortalidade é apenas uma abstração que serve a outra abstração, aos deuses. Possuímos sim uma imortalidade precária, precisa ser cuidada para manter-se imortal.
Tenha filhos.

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