24 de jan de 2013

OS PARTIDOS E AS ELEIÇÕES DE 2014

Qual é o grau de insatisfação do eleitor com os partidos políticos e qual a evolução dessa tendência?

Segundo o Ibope, em 1988 38% das pessoas declaravam não ter partido e 61% tinham simpatias por algum deles. No final de 2012 56% se declaravam sem partido e apenas 44% apontavam simpatia.
Houve, portanto, um fluxo de 18% passando de “simpatizante” para “sem partido” ou “não simpatizante”. Esses números tornam-se complexos quando colocarmos a variação do número de eleitores nos últimos 24 anos. O intervalo de tempo longo e a falta de informações sobre pesquisas intermediárias não autorizam as conclusões tiradas pelos jornalistas do Estadão, mas, fazem pensar.
Caso essa tendência mostre-se verdadeira teremos uma queda no “voto duro” especialmente do PT, aquele eleitor que vota no partido independente do quadro político. Esse índice evoluiu com números conhecidos: Era de 12% nos anos 80/90, e passou para 33% com Lula presidente. Isso pode corresponder à verdade caso se olhe para a eleição do Recife, onde Humberto teve apenas esse "voto duro", 16%, retornando aos índices históricos do PT nos anos 90.
O quadro favorece, assim, àqueles que apresentem-se com independência de partidos políticos, o que seria também confirmado pelas últimas pesquisas e eleições: o crescimento de Eduardo, Dilma e Geraldo Julio. Como não existe o guarda-chuva partidário essa tendência “individualista” mostra-se instável e torna o quadro político dinâmico. Essa instabilidade foi confirmado durante a eleição passada, pela crescente perda de prestígio de Lula. No início todos os candidatos a prefeito desejavam associar seu nome e imagem à de Lula, mas, com o transcorrer da campanha, foi sendo retirado não por atrapalhar, mas simplesmente por tornar-se irrelevante. O ciclo de altas e baixas de indivíduos é mais rápido e instável que de partidos políticos, o que produz uma cenário favorável a “cometas”, candidatos com ciclos de vida curtos.
Como conseguir surfar nesta tendência? A chave são os planejamentos bem sincronizados com o “clock” do eleitor. Marina quase conseguia isso na eleição passada, faltou a percepção e a equipe certa. Com Eduardo pode fazer diferente.
Quanto ao PT, bem, parece que perdeu esse sincronismo, tá colocando o time no campo muito antes de começar o jogo, com jogadores que são craques mas estão cansados e cheios de problemas. É uma espécie de time com onze Adrianos.

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