30 de jan de 2013

PESCARIA ELEITORAL

A eleição é como uma pescaria. Os candidatos são os pescadores e os apoios recebidos os peixes. Um pescador que fisga muitos peixes graúdos tem mais chances de levar a melhor que outros que só fisgou três ou quatro piabinhas. O problema é que muitos desses peixes, os maiores, são espertos e traiçoeiros, comem a isca, fazem de conta que estão fisgados, quando o pescador está confiante, fogem sorrateiramente de volta ao açude, para procurar outro anzol mais suculento. O pobre pescador, então, prepara nova isca, fisga novamente o mesmo peixe e o processo se repete, novamente e novamente.
Assim, o pescador inteligente e moderno não coloca o anzol na água no começo da temporada, com peixes gananciosos, querendo iscas gordas, grandes. Não, ele aguarda, vai pescando pelas beiradas, caladinho, pegando os peixes menores para não despertar a atenção dos maiores e no momento certo, já perto do fim da pescaria, lança todas as suas iscas para pegar os grandes, aqueles que já fugiram dos anzóis dos incautos. O bom pescador não é aquele que passa o dia no açude e sim o que começar e terminar a pescaria no menor tempo possível, gastando pouca isca e pegando muitos peixes.
Qualquer prefeito ou vereador desse Brasilzão conhece essa regra, menos a presidenta da República.
Quando se decreta o início da “pescaria” muito cedo paga-se caro, e o pior, não se garante que os peixes graúdos estejam no seu bisaco no final da pescaria.
Dilma antecipa a eleição, reduz sua chance, revela seus planos, inflaciona o mercado fisiológico que hoje ela é cliente e permite que alguns peixes sofram uma tremenda metamorfose, pasmem, tornem-se pescadores.

29 de jan de 2013

A PEDAGOGIA INATINGÍVEL.

Confesso que gosto de idéias complexas, pois existe um prazer delicioso em ler e compreender Feuerbach, Nietzsche, Lenin e até Aleister Crowley. Também gosto de obras áridas, com linguagem em desuso como os Lusíadas e a Divina Comédia. Mas nunca consegui penetrar na complexidade da Pedagogia. Os textos e jargões da Pedagogia são grego para mim. Obras como as de Paulo Freire, inatingíveis. Fico maravilhado em ver tantas pessoas se deliciando com todo aquele conhecimento que sei, nunca terei acesso.

27 de jan de 2013

O CÃO DE RUA E O AUTOMÓVEL.

Você conhece a síndrome de cachorro que corre atrás de carro? Não! É aquele sentimento que um cão tem no momento que o automóvel que ele perseguia latindo parou. É assim: "Venci! e agora o que faço?". Claro que o automóvel não é uma presa para o cão, é apenas um desafio, uma provocação, assim, ele só tem serventia quando em movimento, como um desafio e não como uma conquista.
Muita coisa na vida funciona assim. Conheci um cidadão que dedicou boa parte da vida a denúncia do regime racista da África do Sul e pedindo pela libertação de Mandela. Quando o regime caiu e Mandela foi eleito presidente ele ficou perdido, sem saber o que fazer da vida.

Quais são as alternativas para o cão que correr atrás do automóvel, então?

1. Ao carro parar, levantar a perna e mijar na roda do carro, para mostrar superioridade.
Nesse caso é apenas uma vitória moral, de pouco valor objetivo.

2. Passar a perseguir outro carro.
A luta continua!

3. Fazer de conta que não aconteceu nada e sair de mansinho.
Essa é uma demonstração de derrota. O fato do automóvel parar ou do inimigo render-se pode não significar que você venceu. Muitas vezes a derrota acontece quando se conquista uma grande vitória, como é o caso de alguém que entra numa luta eleitoral para ser síndico de uma prédio problemático.

Assim, a melhor solução é não perseguir uma presa maior que a própria garganta. Para aproveitar a sorte ou uma posição favorável na roda de Fortuna é necessário aprender a comer grandes bocados, mas nunca algo tão grande que não possa ser engolido.

25 de jan de 2013

A IMPORTÂNCIA DO FOGO NA CULINÁRIA



Quem já pegou e comeu tanajura? Para os que não sabem tanajura é fêmea da formiga saúva, que quando sai do formigueiro para construir uma nova colônia é capturada e comida como uma iguaria. A tanajura tem um forte cheiro de ácido fórmico que quando processado pelo fogo cria um aroma inconfundível, provocante e delicioso. O cheiro de tanajura assando enche a boca de água de qualquer um que já tenha provado. Pegar tanajuras, entretanto, não é uma tarefa para iniciantes, já que ele tem um ferrão poderosíssimo, um dos maiores do mundo dos insetos. A ferroada de uma tanajura é dolorosa, como enfiar um grampo na mão com um grampeador, então, é necessário aprimorar uma técnica para capturar o animal sem ser atacado. Após a extração do ferrão a tanajura continua viva e pode ser guardada até a hora de ir para a assadeira sem estragar.
Tanajura é comida frita, sem nenhum tempero ou aditivo. Como o sabor é muito ativo, tem quem misture com farinha de mandioca. Existe, entretanto, alguns que comem sem fritar, vivas. Arrancam o ferrão, mastigam e engolem. Isso é visto como um desperdício, já que o verdadeiro sabor da iguaria só acontece após a fritura.
Geralmente coisas cruas, sem o processamento do fogo, têm sabor inferior e até mesmo insuportável. Ostra viva é um exemplo. Essa iguaria é comida sem mastigação, sem permanecer na boca, logo não é degustada, apenas engolida. O sabor que fica é apenas a mistura do limão com o azeite, geralmente de péssima qualidade. Comer ostra viva é uma espécie de "oba-oba" de beira mar. O mesmo acontece com o Sashimi. O sabor que é degustado é o do molho onde o peixe é mergulhado.
Eu não como tanajura viva, ostra viva e muito menos Sashimi.

24 de jan de 2013

OS PARTIDOS E AS ELEIÇÕES DE 2014

Qual é o grau de insatisfação do eleitor com os partidos políticos e qual a evolução dessa tendência?

Segundo o Ibope, em 1988 38% das pessoas declaravam não ter partido e 61% tinham simpatias por algum deles. No final de 2012 56% se declaravam sem partido e apenas 44% apontavam simpatia.
Houve, portanto, um fluxo de 18% passando de “simpatizante” para “sem partido” ou “não simpatizante”. Esses números tornam-se complexos quando colocarmos a variação do número de eleitores nos últimos 24 anos. O intervalo de tempo longo e a falta de informações sobre pesquisas intermediárias não autorizam as conclusões tiradas pelos jornalistas do Estadão, mas, fazem pensar.
Caso essa tendência mostre-se verdadeira teremos uma queda no “voto duro” especialmente do PT, aquele eleitor que vota no partido independente do quadro político. Esse índice evoluiu com números conhecidos: Era de 12% nos anos 80/90, e passou para 33% com Lula presidente. Isso pode corresponder à verdade caso se olhe para a eleição do Recife, onde Humberto teve apenas esse "voto duro", 16%, retornando aos índices históricos do PT nos anos 90.
O quadro favorece, assim, àqueles que apresentem-se com independência de partidos políticos, o que seria também confirmado pelas últimas pesquisas e eleições: o crescimento de Eduardo, Dilma e Geraldo Julio. Como não existe o guarda-chuva partidário essa tendência “individualista” mostra-se instável e torna o quadro político dinâmico. Essa instabilidade foi confirmado durante a eleição passada, pela crescente perda de prestígio de Lula. No início todos os candidatos a prefeito desejavam associar seu nome e imagem à de Lula, mas, com o transcorrer da campanha, foi sendo retirado não por atrapalhar, mas simplesmente por tornar-se irrelevante. O ciclo de altas e baixas de indivíduos é mais rápido e instável que de partidos políticos, o que produz uma cenário favorável a “cometas”, candidatos com ciclos de vida curtos.
Como conseguir surfar nesta tendência? A chave são os planejamentos bem sincronizados com o “clock” do eleitor. Marina quase conseguia isso na eleição passada, faltou a percepção e a equipe certa. Com Eduardo pode fazer diferente.
Quanto ao PT, bem, parece que perdeu esse sincronismo, tá colocando o time no campo muito antes de começar o jogo, com jogadores que são craques mas estão cansados e cheios de problemas. É uma espécie de time com onze Adrianos.

TENHA FILHOS



Os filhos são a única forma verdadeira e material de sobrevivermos à morte. Essa vida após a morte, entretanto, cobra um preço e não é barato: a morte individual. A natureza nos dá, mas não desfrutamos, entregamos da mesma forma que recebemos dos nossos pais.
Somos seres integrados ao nosso tempo, à nossa época e morremos com ela. Esse é o sistema. Nossos filhos nos sucedem, da mesma forma de sucedemos nossos pais e avós. E assim vamos evoluindo, nos adaptando e nos transformando.
Somos um grande conjunto de células, mas somos um conjunto ainda maior não no espaço, como indivíduos, mas no tempo como linha evolutiva particular e como uma espécie no geral, Homo sapiens. O “eu” não está sozinho, ele é um “nós” atemporal. Somos uma corrente, o que nos antecedeu e o que nos sucederá. Sob nossa responsabilidade repousa o hoje, que nos foi passado pelo ontem e do qual depende o amanhã.
Muitos decidem não ter filhos, o sistema sabe sair dessa armadilha ignorando o indivíduo e cobra um preço caríssimo, retira a prerrogativa da vida após a morte. Para esses a morte é verdadeira. Quem não tem filhos não evolui. Pode ter sucesso na vida, ter grandes obras, mas, do ponto de vista mais básico, biológico, material, é um fracasso e não será apenas esquecido, será descartado.
Não conseguimos a imortalidade com nossos filhos, nada disso, a imortalidade é apenas uma abstração que serve a outra abstração, aos deuses. Possuímos sim uma imortalidade precária, precisa ser cuidada para manter-se imortal.
Tenha filhos.

10 de jan de 2013

A ESTRANHA VENEZUELA


Essa tal Venezuela é meio estranha. Dizem que é uma democracia, mas sendo um regime presidencialista o vice nomeado e pode ser demitido (o sonho dourado de muitos prefeitos, Rarará!). Esquisito. O supremo tribunal é nomeado, tudo bem, mas pode ser demitido desde que aprovado pelo congresso (como assim!) e por aí vai.
É uma hipertrofia do poder executivo. Caso o cidadão consiga maioria no congresso e domine as forças armadas pode jogar no lixo todas as ideias de Montesquieu sobre o estado moderno e a divisão dos poderes.
Eu sempre parto dos "princípios pétreos" de que, primeiro, o povo precisa de democracia para lutar por dias melhores, segundo, que o melhor ambiente de se viver é o plural e terceiro, o destino da nação não deve está atado a ninguém e de ninguém emana a não ser da democracia e da pluralidade.
Assim, não acredito e vejo com desconfiança esse modelo da Venezuela. Considero Chaves um caudilho e um perigo para todos os latino-americanos.
Não enxergo como uma ameaça terrível o tal perigo imperialista. Muitos países como a Noruega possuem grandes reservas de petróleo e construíram democracias com elevado bem estar para o povo negociando com outras nações imperialistas.

A PERVERSIDADE DIVINA E O BBB13.

Os deuses são terrivelmente cruéis com os mortais e eu posso provar isso. Veja as possibilidades das coisas melhorarem em relação e piorarem. A possibilidade de melhora é sempre limitada, mas a de piora é ilimitada. Não existe maior pecado que matar o pai para desposar a mãe (parricídio e incesto), mas, matar a mãe para desposar o pai pode superar.
É difícil imaginar um BBB13 pior do que esse que está no ar. Mas pode existir. Eu vi por aí uma imagem (que não tive a ousadia de compartilhar) assim. BBB - Bora ler a Bíblia Brasil. Vocês já imaginaram um BBB gospel? Claro que não, é inimaginável, mas, possível.
E pode ainda ser pior se apresentado por Susana Vieira.
Melhorar o que já está bom é arte, poucos conseguem, mas piorar o que já está péssimo é fácil.
Então, qual o objetivo dos deuses em impor aos homens tamanha ameaça? Medo. Essa é a resposta. Temei os deuses não pelo que eles podem fazer de bom para ti, mas pelos males que podem impor.
Rarará!