14 de dez de 2012

BARCO PERDIDO, BEM CARREGADO


A novidade do dia é que Paulo Vieira, aquele amigo de Rosy Noronha, quer se livrar do "domínio do fato", fazendo uma "delação premiada". Os cenários que podem surgir dessa novidade são de dois tipos: os ruins, caso a ameaça seja apenas um truque do Paulo Vieira para tumultuar o quadro, e os péssimos, caso contrário.
Quando o STF deu a elástica pena de 40 anos a Marco Valério e apenas 10 a Dirceu, criou uma situação interessante, que favorece à delação. Valério perdeu o timing para livrar a si mesmo de uma pena severíssima. Calou a boca, acreditou que tudo se arranjaria, que as variáveis desfavoráveis seriam controladas. Mas, as variáveis desfavoráveis também mostraram-se incontroláveis.
Parece que o Paulo Vieira percebeu que pode não conseguir controlar a situação simplesmente calando a boca, não irá repetir o erro do Valério. Caso realmente tenha liderado a quadrilha criará um tumultuo que servirá para ganhar tempo e espalhar uma dúvida razoável sobre sua inocência. Jogaria na ineficiência da justiça. Caso o que ele diga seja verdade, no todo ou em parte, terá 1/3 ou até mais da pena diminuída, que pode ser a diferença entre apodrecer no xilindró ou usar um pulseira no tornozelo. Vale a pena arriscar.
Assim, o envolvimento de Lula é inevitável. O estrago já está feito.
O cenário político muda substancialmente. É remota a possibilidade de que o ex-presidente esteja em condições políticas de se candidatar no pleito de 2014, sem que haja um ato de força que resulte no rompimento do estado de direito.
É necessário que as forças progressistas, de esquerda, procurem mecanismos para minimizar os efeitos desses fatos, com o objetivo de tentar chegar à 2014 com opções não contaminadas, que não transformem o debate político numa discussão de domínio do fato, formação de quadrilha, delações premiadas e corrupção.

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