27 de dez de 2012

PIB BRASIL 1% - PIB PERNAMBUCO 4%

Qual a razão do Brasil ter um crescimento tão ruim do PIB e Pernambuco não acompanhar?
Veja como é volátil o crescimento do Brasil. Durante os últimos anos oscilamos entre PIBs negativos e 7% positivo. O governo tem tomados medidas que deveriam fazer o Produto Interno Bruto crescer como a queda dos juros, tanto da Selic como das taxas no varejo dos bancos oficiais, e o incentivo ao consumo com a redução do IPI e outras medidas. Mesmo assim colhe resultados bisonhos, contraditórios. Tão contraditórios que muita gente do governo acha que são falsos.
Onde, então, está o problema e qual é a solução?
No painel feito pela BBC que está aí, embaixo, os economistas têm um consenso: o Brasil está investindo pouco e errado.

DO PAC AO DESENVOLVIMENTO

Ao que parece o Plano de Aceleração do Crescimento lançado por Lula não prosperou como deveria. Será que faltou recursos? Não, os recursos eram de bom tamanho, mas, não chegaram à economia, e isso demonstra uma visão estreita e burocratizante do poder público, onde os recursos são disponibilizado e quando não conseguem ser liberados por conta dos entraves burocráticos, secretamente o dirigente do banco oficial dar um “ufa!” de alívio.
A burocracia é um defesa do governo para impedir o risco natural decorrente do empréstimo. É melhor não liberar os recursos do que vê-los sob risco, mesmo que mínimo, irrelevante.
Assim, todo cuidado e todo rigor são necessários para impedir que os recursos cheguem ao seu objetivo, o desenvolvimento.
Quando o dinheiro disponibilizado não chega às mãos de quem precisa o problema não é do governo e sim da incapacidade de quem precisa de mostrar que vai usar o dinheiro da forma exata como o governo acha que deve ser.
Assim, cria-se uma política hipócrita e perversa, onde existe a consciência de que os recursos para investimento são necessários, os recursos existem, mas existe também os mecanismos para impedir que o investimento aconteça. É o governo contra o próprio governo. Dilma não demitiu ninguém por ter impedido um investimento. Dilma não promoveu ninguém por ter realizado o que devia. Dilma não mobilizou ninguém para acompanhar e fiscalizar isso.
A existência do PAC é importante, mas a realização do PAC é mais importante ainda. A Dilma criou o PAC, mas apenas isso, não criou o PREPAC, o Programa de Realização do PAC, com reuniões intersetoriais, interestaduais, mobilização do poder público e da sociedade, acompanhamento rigoroso, objetivos, metas e prazos.
Qual foi o resultado: apenas os estados atentos e preparados conseguiram aproveitar o PAC.
Então deveríamos investir muito e de forma correta? E quem faz isso? A resposta é fácil: Eduardo Campos em Pernambuco.
Eduardo aproveitou o que o Governo Federal disponibilizou, criou uma equipe especializada em desenvolvimento, criou programas de planejamento, acompanhamento e controle, mobilizou o estado, elevou a autoestima, convidou as empresas, criou a infraestrutura aproveitando cada centavo, premiando que usou bem e punindo que deixou de usar. Investiu em Educação em todos os níveis desde o primeiro momento do governo.
Eduardo tensionou toda a estrutura estatal, funcionários e estruturas, em um único objetivo de desenvolver de forma correta o estado, objetivo consubstanciado no “Mapa da Estratégia” de Geraldo Julio e no programa “Todos por Pernambuco”.

Eduardo fez em Pernambuco o que Dilma deveria ter feito no Brasil.

Vamos continuar crescendo tendo esse pibinho fulero e instável, a não ser que Eduardo mobilize o Brasil para crescer na vera, como aconteceu e está acontecendo em Pernambuco.

14 de dez de 2012

BARCO PERDIDO, BEM CARREGADO


A novidade do dia é que Paulo Vieira, aquele amigo de Rosy Noronha, quer se livrar do "domínio do fato", fazendo uma "delação premiada". Os cenários que podem surgir dessa novidade são de dois tipos: os ruins, caso a ameaça seja apenas um truque do Paulo Vieira para tumultuar o quadro, e os péssimos, caso contrário.
Quando o STF deu a elástica pena de 40 anos a Marco Valério e apenas 10 a Dirceu, criou uma situação interessante, que favorece à delação. Valério perdeu o timing para livrar a si mesmo de uma pena severíssima. Calou a boca, acreditou que tudo se arranjaria, que as variáveis desfavoráveis seriam controladas. Mas, as variáveis desfavoráveis também mostraram-se incontroláveis.
Parece que o Paulo Vieira percebeu que pode não conseguir controlar a situação simplesmente calando a boca, não irá repetir o erro do Valério. Caso realmente tenha liderado a quadrilha criará um tumultuo que servirá para ganhar tempo e espalhar uma dúvida razoável sobre sua inocência. Jogaria na ineficiência da justiça. Caso o que ele diga seja verdade, no todo ou em parte, terá 1/3 ou até mais da pena diminuída, que pode ser a diferença entre apodrecer no xilindró ou usar um pulseira no tornozelo. Vale a pena arriscar.
Assim, o envolvimento de Lula é inevitável. O estrago já está feito.
O cenário político muda substancialmente. É remota a possibilidade de que o ex-presidente esteja em condições políticas de se candidatar no pleito de 2014, sem que haja um ato de força que resulte no rompimento do estado de direito.
É necessário que as forças progressistas, de esquerda, procurem mecanismos para minimizar os efeitos desses fatos, com o objetivo de tentar chegar à 2014 com opções não contaminadas, que não transformem o debate político numa discussão de domínio do fato, formação de quadrilha, delações premiadas e corrupção.

13 de dez de 2012

SE VIVO FOSSE...


Viva Luiz Gonzaga, o rei do baião!
Passarei minha vida falando de Gonzaga, mas hoje quero tratar de outra coisa, um deslize estilístico comum cometido por jornalista quando falam de personalidades que já morreram.
É um jargão de abertura, um lugar comum para abrir um texto comemorativo, assim: "se vivo fosse fulano teria x anos...". Para se obter o efeito desejado a construção deve ser usada para alguém que morreu cedo. Então, poderia ser assim: Se vivo fosse Cazuza estaria com 54 anos, etc. Ou seja, estaria produtivo, nos alegrando, coisa e tal.
Quando a construção é usada para pessoas que morreram há muito tempo perde o sentido: Se vivo fosse Pixinguinha estaria com 115 anos...ou seja, se vivo fosse já teria morrido há muito tempo.
Hoje é o dia. Gonzaga completaria, se vivo fosse, 100 anos e já estaria mortinho da silva.
Rarará!

PELA CONTINUIDADE DAS FORÇAS POPULARES NO PODER


Lula fez ontem, dia 12 de dezembro, a maior ameaça que pode conceber numa entrevista dada na Europa; disse que será candidato a sucessão de Dilma.
Ora, esse não seria nem o momento certo e nem a atitude certa. Política se faz com sincronismo, existe momento para tudo. Lula lançar a própria candidatura agora seria decretar o fim do governo Dilma, desautorizar a presidenta a tomar qualquer atitude, transformá-la num mero enfeite. Lula, nesse momento, está sob ataque o que contaminaria toda a ação do governo, ampliando a possibilidade de derrota.
O correto seria reforçar o governo de Dilma, que até agora passa incólume pela crise. Ela é a parte boa da história. Lançar a candidatura de Lula agora é contaminar o que está indo bem com o mal feito que não pertence à moça.
A atitude de Lula é impensada e emocionalmente desequilibrada. Joga para agradar a sua própria vaidade e a militância petista, neopetista e petistófila.
Nesse momento a direção do PT perdeu completamente qualquer a visão estratégica, é guiado pelas necessidades imediatas, pela crise do momento, criadas ou não pelo Zé Dirceu, e pautado pela imprensa conservadora.
É necessário às forças populares, democráticas e de esquerda se reagruparem em outro núcleo, que ajudem Dilma e se distanciar da crise e chegar bem em 2014, já que o atual núcleo que dá apoio a presidenta está completamente paralisado.
Em 2014, aí sim, devemos agrupar forças para criar uma opção sem conexões com as crises atuais, para dar continuidade aos projetos de desenvolvimento nacional baseados na independência e no progresso social que foram iniciados por Lula e continuados por Dilma.

12 de dez de 2012

A RABICHOLA DE SUA MÃE


Meu pai chegou como imigrante no Rio de Janeiro em 1927, com 17 anos. Ficou lá até 1942. Trabalhou numa padaria, em Niterói, onde aprendeu o oficio de padeiro e terminou como gerente, ajudando o proprietário, um português, a dirigir o estabelecimento.
Aproveitando a oportunidade escreveu uma carta para um primo querido em Belo Jardim, Amaury de Barros Correia, para que fosse trabalhar no Rio, que garantia um emprego na padaria. O primo topou.
Chegando em Niterói, foi destacado para o posto mais baixo do estabelecimento: entregador. Usava-se, naquele tempo, uma égua que o português deu o sugestivo nome de "Sua Mãe", era apenas uma brincadeira, mas, evidentemente, tinha a função de humilhar o "pernambuco", designação genérica usada para os imigrantes da nossa terra.
O Amaury não digeriu muito bem aquela brincadeira. "Cuidado com Sua Mãe", "cuide bem de Sua Mãe", "Sua Mãe é muito preguiçosa", "Sua Mãe é namoradeira" e outras frases do mesmo quilate foram minando a paciência do rapaz até que um dia ele chegou no balcão e disse ao português:
─ Eu preciso de 200 gramas de gordura.
─ Para que queres isso Pernambuco? Respondeu o português.
─ Para passar no xibiu de Sua Mãe, pois a rabichola tá deixando em carne viva.
Foi preciso duas pessoas para sustentar o português. Quanto ao Amaury, bem, voltou para Belo Jardim e ficou por lá.

RESPOSTA A UM VELHO COMPANHEIRO DE LUTA


Meu caro, obrigado pelo alerta de que estou sem referência política e ideológica. Vindo de um velho e bom amigo, de tantas lutas, escuto e levo em consideração. Felizmente, não posso dizer o mesmo de você, acho que está bem referenciado e ideologicamente definido. Fico feliz. Mas, mesmo perdido e sem nenhuma referência, continuo tentando perseguir duas qualidade que acho importantíssimas: humildade e prudência.
Humildade para não me achar dono do conhecimento total ou proprietário da verdade absoluta, e prudência para, sendo humilde, refletir sobre o mundo e formar um juízo razoável. Orientado pela humildade, pela prudência e refletindo com a parca inteligência que tenho, fui conduzido a outro caminho, a outras referências e até a outras ideologias, por que não.
Os gregos diziam que a inteligência, antes de ser uma dádiva, é um fardo, uma vingança dos deuses e concordo com eles. Sou-lhe sincero, preferia ter nascido menos inteligente do que infelizmente sou. Teria mais amigos, mais mulheres e suportaria melhor os patrões e os dirigentes. Seria melhor para mim e para a minha família. Mas não, carrego sempre esse peso, sempre estrago tudo tirando minha próprias conclusões e ainda existe esse verme tirânico beliscando minha alma, dizendo baixinho no meu ouvido:
─ Vai! Fala!
E eu não me controlo, vou e solto o verbo. Esse verme é a ousadia.
Ser acusado por você e muitos outros velhos companheiros de posicionar-me ao lado da direita ou de ser de direita não me atinge. Conheci de perto pessoas da direita, na vera, que tenho imenso respeito e ser comparado à eles apenas me causa orgulho. Mas serei de direita, terei revisado minhas posições? Não, sou teimoso, quase insuportável. Prefiro continuar a pensar e agir pela esquerda, o caminho mais difícil, mesmo sabendo que serei ignorado, humilhado e até forçado a ficar ao lado de pessoas ─ as defendendo ou calando ─ que não são nem uma sombra moral de muitos acusados de serem reacionário, ou coronéis que tive o imenso prazer de conviver.
Não é fácil ser da esquerda. Nunca me trouxe nenhuma vantagem. Quando jovem fui duramente criticado pelos meus familiares por arriscar meu futuro. Quando maduro continuo sendo criticado pela mesma razão.
Percebo, bom amigo, que muitos também são assim, como eu, e gostam de me ver independente, corrosivo e irreverente. Sou como um espelho.
É importante alguém que alerte, alguém que grite da beira do rio:
─ Cuidado, não deixe a correnteza levar o barco!
Finalizando, agradeço ao alerta bom amigo, continuarei sem referência, mas livre para pensar e erra por minha conta e risco.